Revista Elevate é Acusada de Vender Certificados de Iniciação Científica para Estudantes de Medicina
A Revista Elevate, uma empresa que se apresenta como um periódico científico, está no centro de uma controvérsia por supostamente comercializar certificados de iniciação científica. Esses documentos são procurados por estudantes que desejam ingressar em programas de residência médica em diversas especialidades. Os preços para a aquisição dos certificados variam de R$ 500 a R$ 1.200.
A empresa, que teve seu perfil no Instagram removido após a investigação, afirma se dedicar à divulgação de produções acadêmicas nas áreas de ciências da saúde, humanas e biológicas. Além da venda de certificados, a Elevate oferece serviços de mentoria científica e coautoria em artigos científicos, com valores que podem chegar a R$ 780.
Recentemente, em um grupo de WhatsApp com 445 membros, a Elevate anunciou vagas para coautoria em um artigo intitulado “Precarização docente e subfinanciamento como fatores críticos na formação médica no Brasil: Revisão de escopo”. A empresa também oferece a possibilidade de coautoria em capítulos de livros, com ISBN nacional, além de certificados para apresentação em congressos.
O processo de residência médica é um estágio essencial na formação de especialistas, que exige a participação em atividades extracurriculares, como monitorias e pesquisas. No entanto, a venda desses certificados levanta preocupações sobre a integridade do sistema e a formação dos futuros médicos.
Um médico recém-formado relatou sua experiência com a Elevate, afirmando que a empresa oferece certificados retroativos, permitindo que alunos adquiram reconhecimento por atividades que não realizaram. Essa prática gera revolta entre profissionais que se dedicam a construir um currículo legítimo e ético.
A comercialização de certificados também ocorre em um contexto em que a avaliação dos cursos de medicina pelo Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) revelou que cerca de 30% dos alunos obtiveram desempenho insatisfatório. Isso levanta questões sobre a qualidade da formação médica no Brasil e a possibilidade de que médicos menos qualificados possam recorrer a práticas fraudulentas para melhorar seus currículos.
As instituições de ensino e hospitais estão cientes da situação. O Hospital Alemão Oswaldo Cruz, por exemplo, afirma não aprovar a comercialização de certificados e alerta que documentos inconsistentes podem ser encaminhados para apuração. A Unicamp, por sua vez, destaca que a iniciação científica deve ser comprovada por meio de agências de fomento e que a fiscalização das atividades extracurriculares é de responsabilidade das autoridades competentes.
Em resposta às acusações, a Elevate nega qualquer prática ilegal e se define como uma comunidade científica sem fins lucrativos, afirmando que os valores mencionados referem-se apenas a custos operacionais. Até o momento, o Ministério da Educação não se manifestou sobre a situação.
A controvérsia em torno da Revista Elevate levanta questões importantes sobre ética, formação e credibilidade na área da saúde, refletindo um desafio maior na supervisão e regulamentação das atividades acadêmicas no Brasil.
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