Iranianos Buscam Identidade em Meio à Crise do Ocidente

Mulheres xiitas iranianas participam das orações do Eid al-Fitr, que marcam o fim do mês sagrado muçulmano do Ramadã, na Grande Mesquita de Mosalla, em Teerã, em 21 de março de 2026, em meio aos bombardeios diários dos EUA e de Israel sobre a capital iraniana

Na terceira parte da entrevista ao Brasil de Fato, Alastair Crooke, ex-agente do MI6 e conselheiro da UE para a Ásia Ocidental, discute o caráter da revolução islâmica e a história do xiismo, criticando o “niilismo pós-moderno” do Ocidente. Ele cita um clérigo iraniano que afirma que o problema com o Ocidente reside não na ideologia, mas na maneira de pensar, que considera prejudicial ao mundo. Crooke observa que, apesar de sua crítica ao Ocidente, muitos líderes da revolução islâmica foram incentivados a absorver elementos do pensamento ocidental moderno, como a autocrítica marxista, enquanto mantêm uma sólida formação em filosofia islâmica.

O ex-oficial expressa preocupação com a possibilidade de Israel utilizar armas nucleares, vendo isso como um desdobramento desejado por algumas lideranças de Tel Aviv e dos EUA, que chamam a guerra com o Irã de “guerra santa”. Crooke acredita que um cenário de “guerra total” poderia resultar em uma “destruição criativa”, da qual um novo mundo poderia emergir, prevendo uma crise econômica no Ocidente que poderia ser desencadeada pelo Irã.

Ele destaca a profundidade intelectual de líderes iranianos contemporâneos e sugere que esse domínio da filosofia ocidental confere ao Irã uma vantagem cognitiva, permitindo desconstruir narrativas liberais de Washington. Crooke enfatiza a importância de entender o Irã não apenas através do racionalismo secular, mas também sob uma perspectiva escatológica, considerando a influência de componentes messiânicos tanto em Israel quanto nos EUA.

Crooke também reflete sobre a necessidade de um novo pensamento no Irã e em outras partes do mundo, ressaltando que muitos países, como China e Rússia, estão revisitando suas tradições culturais e buscando um equilíbrio entre suas raízes e influências ocidentais. Ele menciona que tanto na Rússia quanto na China há um processo de autocrítica em relação à ocidentalização e um esforço para recuperar tradições milenares, o que pode ser visto como parte de um movimento anti-imperialista global.

O ex-agente discute a importância de elevar a consciência e mudar a forma de pensar, sugerindo que isso é um processo que leva tempo e aprendizado. Ele acredita que a revolução iraniana precisa se reinventar para os tempos modernos, especialmente para se conectar com a juventude. Crooke menciona a influência de pensadores como Plotino e a necessidade de compreender diferentes camadas de consciência, ressaltando que o Imã Khomeini defendia o estudo conjunto da filosofia ocidental e islâmica.

Por fim, Crooke aponta que estamos em uma nova era, marcada por perigos, mas também por oportunidades de transformação. Ele vê o atual momento como uma catarse necessária, onde a destruição do mundo niilista poderia levar a um novo caminho criativo. A entrevista destaca a complexidade do pensamento político e filosófico no Irã, bem como as interações dinâmicas entre culturas e ideologias no contexto atual.

Fonte: Link original

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