O Ministério Público de São Paulo (MPSP) está investigando o empresário João Adibe, dono da farmacêutica Cimed, por suspeita de desobediência a embargos relacionados à construção de sua mansão no bairro Jardins, uma área nobre da capital paulista. O pedido para que a Polícia Civil ouça Adibe foi feito após o empresário recusar uma proposta de transação penal que previa o pagamento de R$ 81 mil para encerrar o caso.
A disputa envolve conflitos entre Adibe, a associação de moradores Ame Jardins e um vizinho banqueiro, André Schwartz. O empresário é o 86º homem mais rico do Brasil, com um patrimônio estimado em R$ 5,2 bilhões. O Tribunal de Justiça de São Paulo já havia decidido em fevereiro que a obra deveria permanecer embargada, após a prefeitura constatar irregularidades. O MPSP determinou que fossem ouvidos Adibe e uma agente vistora que acompanhou a questão.
A defesa de Adibe alega que o embargo era parcial, aplicando-se apenas a um muro e que a obra possuía alvarás válidos, incluindo o Habite-se, que foi posteriormente suspenso devido a alegações de que a construção foi realizada em desacordo com o projeto aprovado. O 15º DP (Itaim Bibi) recomendou o arquivamento do inquérito, argumentando que a desobediência não se configura quando já existem sanções administrativas, como multas aplicadas pela prefeitura. Entretanto, o MPSP não seguiu essa recomendação e solicitou novas diligências.
A associação Ame Jardins argumenta que a obra foi aprovada como uma simples reforma, mas resultou em uma demolição quase total do imóvel original, mantendo apenas a fachada. A defesa de Adibe, por outro lado, afirma que todas as autorizações necessárias foram obtidas e que a construção já está concluída. O bairro Jardim Paulista possui restrições urbanísticas rigorosas, e a associação alega que a nova construção descumpre regras de tombamento, excedendo alturas máximas e realizando intervenções não previstas.
Além disso, a Ame Jardins afirma que a obra causou danos ao imóvel vizinho de Schwartz, que, segundo laudos técnicos, apresentaram trincas e fissuras devido à demolição e obras pesadas. O banqueiro descreveu a situação como um “deboche” após a esposa de Adibe, Cinthya Marques, publicar um vídeo mostrando a continuidade das obras, mesmo com as ordens de embargo.
As advogadas de Adibe alegaram que o imóvel possui o Habite-se e que a família reside na casa há tempo. Um laudo anterior teria descartado a responsabilidade de Adibe pelos problemas relatados pelos vizinhos, sugerindo que os danos seriam provenientes da má conservação do imóvel de Schwartz.
O caso continua em andamento, com o MPSP aguardando os depoimentos e decidindo se arquivará o inquérito ou se apresentará uma denúncia por desobediência. A situação gera tensões na comunidade local e levanta questões sobre a conformidade das construções em áreas com regulamentações urbanísticas rigorosas.
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