Nas últimas três décadas, o Maestro Spok tem se destacado na difusão do frevo, liderando a big band SpokFrevo Orquestra e se tornando uma referência contemporânea desse ritmo. No entanto, sua musicalidade abrange muito mais do que apenas o frevo, incorporando influências do rock, da percussão do comer e conexões com o Sertão e a África. Essa diversidade musical culmina no seu novo álbum, “Raízes”, lançado recentemente em plataformas de streaming.
O projeto surge de um desejo antigo de Spok de explorar sua musicalidade além do frevo. A revelação de sua ancestralidade, a partir de um exame de DNA, foi um ponto crucial para a concepção do álbum. Spok descobriu que 100% de sua linhagem materna provém da etnia Tikar, de Camarões, o que lhe trouxe respostas para episódios de sua vida e o conectou de forma mais profunda às suas raízes, tanto rítmica quanto poeticamente. Ele menciona que essa descoberta o levou a explorar musicalmente suas memórias, incluindo a poesia popular do Sertão e as influências sonoras do movimento manguebeat, em que trabalhou com Chico Science e a Nação Zumbi nos anos 90.
“Raízes” também reflete um trabalho colaborativo, algo novo para Spok. Em parceria com Miguel Mendes na produção e direção musical, o álbum contou com a participação de músicos como Nilo Dias, seu filho, na guitarra, e os percussionistas Thulio da Xambá e Meme Bongar, que trouxeram suas experiências do grupo Bongar. Ao contrário de sua experiência anterior com a orquestra, onde os arranjos eram predefinidos, neste álbum, Spok chegou aos ensaios com as composições básicas e permitiu que os arranjos emergissem coletivamente com as contribuições de todos os músicos. Essa abordagem colaborativa resultou em um aprendizado mútuo e um enriquecimento da produção musical.
Em “Raízes”, Spok também experimentou mais com sua própria voz, um aspecto que ele vinha desenvolvendo com a orquestra, mas que agora assume uma nova dimensão. Ele canta ao lado de artistas renomados como Lenine, Chico César, Zeca Baleiro e sua filha, Ylana. Com o álbum circulando, Spok está ansioso para levar esse trabalho aos palcos, embora reconheça que a transição do frevo para esse novo projeto pode ser desafiadora. Ele menciona que durante a proposta de shows, há uma expectativa do público por apresentações tradicionais de frevo, como “Madeira do Rosarinho”, mas ele está preparado para essa nova fase e disposto a incluir elementos do seu novo repertório.
Em resumo, “Raízes” é uma celebração da diversidade musical de Spok, uma exploração de suas raízes ancestrais e uma experiência coletiva que reflete sua evolução como artista. O maestro está pronto para enfrentar os desafios que vêm com a apresentação desse novo trabalho e expressa satisfação e confiança em sua nova jornada musical.
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