Rio Juruá ameaça Cruzeiro do Sul e obriga evacuação de famílias

Esta é a terceira vez, em 2026, que o Juruá ultrapassa a cota de transbordamento na segunda maior cidade acreana cruzeiro do sul acre

A cidade de Cruzeiro do Sul, no Acre, enfrenta novamente a pressão da elevação do nível do rio Juruá, que já ultrapassa a cota de transbordamento de 13 metros pela terceira vez em 2026. Esse fenômeno é resultado das intensas chuvas que têm caído na região, especialmente nesta época de transição do “inverno amazônico”. A Defesa Civil local registrou a altura do rio em 14,10 metros na manhã de 3 de abril e, embora tenha se mantido estável durante o dia, a situação se agravou na manhã de 4 de abril, quando o nível subiu para 14,15 metros.

As previsões meteorológicas indicam que as chuvas continuarão acima da média em diversas bacias, como a do Juruá, Purus e Baixo Acre. Além das chuvas, as vazantes nas áreas mais altas, como nos municípios de Marechal Thaumaturgo e Porto Walter, também contribuem para a elevação do rio. A falta de monitoramento adequado por parte do governo no Alto Juruá tem gerado preocupação, pois dados cruciais sobre o nível das águas não têm sido disponibilizados.

Atualmente, o nível do rio Juruá em Cruzeiro do Sul está apenas 21 cm abaixo do recorde histórico de 14,36 metros, registrado em 2021. Essa situação já está causando transbordamentos em áreas vulneráveis da cidade, impactando diretamente a vida de milhares de moradores. Segundo a Defesa Civil, pelo menos 624 famílias estão desalojadas, enquanto outras 50 foram retiradas com auxílio do governo e levadas a abrigos. A estimativa da Prefeitura é de que mais de sete mil famílias, totalizando cerca de 30 mil pessoas, estejam afetadas pela enchente.

As comunidades ribeirinhas enfrentam desafios graves, como a perda de suas plantações de macaxeira, a principal fonte de sustento. Além do Juruá, os afluentes Croa, Juruá-Mirim e Valparaíso também estão com níveis elevados, prejudicando as comunidades ribeirinhas nas margens desses rios, incluindo vilas como Lagoinha, Assis Brasil e Santa Rosa.

Na cidade, 186 famílias que optaram por permanecer em suas casas, mesmo com a água se aproximando, estão sem fornecimento de energia elétrica. Essa medida de segurança foi implementada para prevenir tragédias. Os bairros mais afetados incluem Miritizal, Lagoa, Centro, Remanso e o Ramal Boca do Moa.

No ano passado, Cruzeiro do Sul também enfrentou uma situação semelhante, e foram relatados esforços dos moradores dos bairros mais vulneráveis para se adaptarem às oscilações do nível do rio, utilizando conhecimentos tradicionais sobre a vida ribeirinha. Essa resiliência da população destaca a importância de estratégias de adaptação e solidariedade em face das adversidades causadas pelas mudanças climáticas e eventos extremos, que têm se tornado cada vez mais frequentes na região amazônica. A situação atual reforça a urgência de medidas eficazes de monitoramento e apoio às comunidades afetadas, visando mitigar os impactos das enchentes e garantir a segurança e a subsistência dos moradores.

Fonte: Link original

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