O verão de 2025-2026 no Brasil foi caracterizado por uma série de contrastes climáticos, incluindo recordes de calor e episódios raros de frio, além de uma distribuição irregular de chuvas que impactou os reservatórios de água. O Grupo de Estudos Climáticos (GrEC) da USP destacou que, durante essa estação, o dia 28 de dezembro foi o mais quente já registrado em São Paulo, enquanto a primeira semana de janeiro trouxe uma massa de ar polar que causou geada no Rio Grande do Sul, um fenômeno incomum para o verão. Embora houve chuvas intensas em certas áreas, a precipitação não se distribuiu de maneira eficiente, resultando em volumes abaixo da média histórica. Isso afetou diretamente o abastecimento de água, especialmente no Sistema Cantareira, que operou abaixo de 20% durante dezembro e janeiro, recuperando-se apenas no final do verão.
Globalmente, o padrão de extremos também foi evidente, com grandes quantidades de neve nos Estados Unidos, Europa e Rússia, enquanto enchentes severas na Ásia resultaram em mais de mil mortes. Incêndios florestais devastadores ocorreram no Chile e na Austrália, demonstrando a amplitude dos fenômenos climáticos recentes.
Para o outono de 2026, as previsões indicam a continuidade do calor, especialmente nas regiões Centro-Sul do Brasil. Modelos climáticos internacionais sugerem temperaturas acima da média e uma redução das chuvas no Sudeste e no Centro-Oeste. Com menos precipitação, o efeito de resfriamento das frentes úmidas diminuirá, prolongando o aquecimento. Por outro lado, as chuvas devem se concentrar no Norte e em áreas do Nordeste, com destaque para o litoral da Bahia, devido à atuação da Zona de Convergência Intertropical, que tende a favorecer maior precipitação nessas regiões.
A dinâmica dos oceanos é fundamental para entender esse cenário. O fenômeno La Niña, que normalmente causa um resfriamento das águas do Pacífico, perdeu força e é substituído por um aquecimento acelerado das águas centrais do Pacífico, sugerindo uma possível formação de El Niño nos próximos meses. Contudo, os efeitos desse fenômeno não devem ser imediatos. No curto prazo, a dinâmica atmosférica será mais influenciada por oscilações de alta frequência, como a Oscilação Antártica e o aquecimento anômalo do Atlântico, que dificulta a entrada de frentes frias no interior do continente.
Dessa forma, o outono de 2026 começa como um período de transição, mas com a continuidade dos extremos observados no verão anterior. As perspectivas incluem menos chuvas em áreas críticas, calor persistente e uma maior dependência de variáveis oceânicas e atmosféricas de curto prazo. A previsão de padrões climáticos sugere que, enquanto algumas regiões poderão experimentar mais chuvas, outras enfrentarão desafios significativos relacionados à escassez de água e ao calor excessivo, refletindo uma tendência de instabilidade climática que pode se intensificar nos próximos meses.
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