Indígenas de todo o Brasil se reúnem em Brasília para a 22ª edição do Acampamento Terra Livre
Neste domingo (5), um grande número de indígenas de diversas partes do Brasil começou a chegar a Brasília para participar da 22ª edição do Acampamento Terra Livre (ATL 2026), que ocorre no Eixo Cultural Ibero-Americano, no coração da capital federal. Organizado pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), o evento, que se estenderá até o próximo sábado (11), é considerado a maior mobilização do movimento indígena no país.
Estima-se que entre 7 mil e 8 mil pessoas, incluindo indígenas e aliados, estejam presentes este ano. O ATL reúne representantes de uma significativa parte dos 391 povos originários do Brasil, além de convidados de outras nações, com o objetivo de debater a defesa de seus territórios e denunciar as violações de direitos que enfrentam.
Nos últimos anos, o escopo do evento expandiu-se, incluindo debates sobre a participação política dos indígenas, a crise climática e a defesa da democracia. No entanto, a questão central continua sendo o reconhecimento do direito dos povos originários à terra. “Estamos aguardando o governo federal anunciar a criação de novas terras indígenas”, afirmou Dinamam Tuxá, coordenador executivo da Apib. Ele ressaltou que, após um período sem novas demarcações entre 2019 e 2022, o governo federal homologou 20 novos territórios entre janeiro de 2023 e novembro de 2025, totalizando cerca de 2,5 milhões de hectares protegidos em 11 estados.
Dinamam também destacou a existência de aproximadamente 110 áreas reivindicadas como terras da União para usufruto indígena que estão em análise. “O passivo de demarcação é elevado e as terras indígenas ainda enfrentam um cenário de violência e vulnerabilidade que nenhum governo conseguiu superar”, acrescentou.
Mobilização e Luta por Direitos
O ATL também marca o início do Abril Indígena, um mês de mobilização nacional que visa chamar a atenção para questões como saúde e educação para os povos indígenas. Com o tema “Nosso futuro não está à venda: a resposta somos nós”, o evento promoverá debates sobre educação, saúde e políticas públicas, além de caminhadas pela Esplanada dos Ministérios.
A primeira marcha está programada para a próxima terça-feira (7), em protesto contra projetos de lei que, segundo a Apib, ameaçam os interesses dos povos originários. Entre as pautas, destaca-se a oposição à liberação da mineração em terras indígenas e a proposta do marco temporal, que limita os direitos territoriais dos indígenas.
As eleições de 2026 também serão um foco importante do Acampamento, com debates programados que visam fortalecer a participação política indígena. “Vamos lançar a Campanha Indígena, uma iniciativa que orientará candidaturas aliadas ao movimento indígena”, anunciou Dinamam, enfatizando o compromisso de aumentar a representação indígena no Congresso Nacional.
Histórias de Luta e Resistência
Cotinha de Sousa Guajajara, que partiu da Terra Indígena Morro Branco, no Maranhão, é uma das muitas vozes presentes no ATL. Ela e outros 67 indígenas da etnia Guajajara viajaram cerca de 1.400 quilômetros em dois ônibus para chegar a Brasília. “Nossa expectativa é que áreas sejam demarcadas e ampliadas, especialmente no Maranhão”, disse Cotinha, que já está instalada no local do evento.
Outro participante, Oziel Ticuna, que reside em Brasília e faz mestrado na Universidade de Brasília, compareceu ao acampamento para reencontrar amigos e apoiar sua comunidade no Amazonas. “O ATL trouxe uma nova forma de organização, onde os povos se escutam e buscam soluções coletivas para proteger suas culturas”, afirmou Oziel.
Com o Acampamento Terra Livre, os povos indígenas reafirmam seu compromisso de luta por direitos, demarcação de terras e a proteção de suas tradições e modos de vida. A mobilização é um chamado à ação e à solidariedade em um momento crucial para a preservação de suas identidades e territórios.
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