Multidões se Mobilizam em Homenagem ao Líder Supremo do Irã em Dia de Luto
Na quinta-feira, 9 de novembro, diversas cidades do Irã foram palco de grandes manifestações em homenagem ao 40º dia do assassinato do líder supremo Seyyed Ali Khamenei. O aiatolá foi morto em um bombardeio realizado por Israel e Estados Unidos, no início do conflito que atualmente assola a região. A mídia estatal iraniana destacou a ampla participação popular, refletindo o apoio de segmentos da sociedade ao regime, mesmo diante da pressão das potências ocidentais.
As cerimônias começaram na manhã de quinta-feira, com uma procissão que se deslocou da Praça Jomhouri até o local do assassinato de Khamenei, conforme noticiado pela Press TV. Centenas de cidades do Irã também realizaram homenagens, que se estenderam até a noite em Teerã. Vídeos divulgados pelas emissoras locais mostraram milhares de manifestantes marchando, empunhando bandeiras iranianas e retratos das principais lideranças, além de homenagens às 168 meninas que perderam a vida no ataque à escola de Minab.
Divisão na Sociedade Iraniana
Paulo Hilu, antropólogo e coordenador do Núcleo de Estudos do Oriente Médio da Universidade Federal Fluminense (UFF), comentou que, embora exista uma oposição significativa à República Islâmica, há também uma base que apoia o regime. “A sociedade iraniana é dividida. Existem setores que, por razões ideológicas ou políticas, ou mesmo por interesses pessoais, sustentam a manutenção da República Islâmica”, afirmou. Hilu ressaltou que a agressão externa tem levado críticos do regime a preferirem sua preservação como forma de defender o país contra invasões e destruições.
Segundo a Organização de Medicina Forense do Irã, mais de 3 mil pessoas foram mortas pelos ataques israelenses e estadunidenses desde o início do conflito, com 40% das vítimas ainda não identificadas.
Mudanças na Liderança e Promessas de Retaliação
Após o assassinato de Ali Khamenei, o cargo de líder supremo foi assumido por seu filho, o aiatolá Mojtaba Khamenei. O novo líder prometeu vingança em nome dos "mártires" mortos, incluindo seu pai e familiares. As autoridades iranianas relataram que Khamenei escolheu o caminho do martírio, recusando-se a se abrigar em locais subterrâneos durante os ataques, sendo alvejado em seu escritório.
No contexto político iraniano, o martírio é um símbolo de honra e glória, especialmente na tradição xiita. O sistema de governo do Irã é caracterizado pela eleição do Líder Supremo pela Assembleia dos Especialistas, composta por clérigos escolhidos por voto popular. Embora o cargo seja vitalício, a constituição permite que a assembleia destitua o líder.
Um Olhar sobre a História do Irã
Desde a Revolução Islâmica de 1979, que derrubou a dinastia Pahlavi e encerrou 54 anos de monarquia, a República Islâmica do Irã tem enfrentado tensões constantes com os Estados Unidos e outras potências ocidentais. O líder supremo, que ocupa uma posição central na estrutura de poder do país, é também o comandante das Forças Armadas, que operam de forma independente do Executivo.
As manifestações de ontem evidenciam a complexidade da situação social e política do Irã, onde a luta pela sobrevivência do regime e as vozes dissidentes coexistem em um cenário marcado por conflitos e desafios constantes.
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