Método da pílula do dia seguinte é a escolha mais comum entre adolescentes

Imagem de um invólucro contendo uma pílula anticoncepcional, a chamada pílula do dia seguinte

A recente Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) de 2024, divulgada pelo Ministério da Saúde, revelou que a contracepção de emergência (CE), popularmente conhecida como pílula do dia seguinte, é o segundo método contraceptivo mais utilizado por adolescentes no Brasil, apesar de ser destinado a situações específicas e emergenciais. Cristiane Cabral, professora da Faculdade de Saúde Pública da USP, esclarece que a CE deve ser usada apenas em casos de falha de outros métodos contraceptivos, como o rompimento de preservativos ou em situações de violência sexual. O mecanismo de ação da pílula envolve a alteração da consistência do muco cervical, dificultando a movimentação do esperma e do óvulo, além de impedir ou adiar a ovulação.

Alexandre Faisal, professor do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP, oferece insights sobre a alta utilização da pílula entre adolescentes. Ele aponta que a primeira razão é a elevada taxa de falhas dos métodos contraceptivos regulares, especialmente entre jovens que frequentemente não planejam suas relações sexuais. Além disso, a facilidade de acesso à CE, que pode ser adquirida sem prescrição médica, contribui para seu uso. Muitos adolescentes conhecem a pílula através de amigos ou profissionais de saúde, o que reforça sua popularidade.

Cristiane destaca que o uso frequente da pílula entre adolescentes pode ser visto como positivo, pois indica uma preocupação com a prevenção de gravidezes indesejadas. Ao prevenir a gravidez, a CE pode evitar que jovens enfrentem a realidade de um aborto clandestino ou uma maternidade não planejada. No entanto, ela também alerta para a necessidade de se evitar certos comportamentos após o uso da pílula, como o consumo excessivo de álcool, que pode causar vômitos e comprometer a eficácia do medicamento.

É importante que os adolescentes busquem orientação profissional para estabelecer práticas contraceptivas habituais. Cristiane enfatiza que, em casos de violência sexual, a CE é apenas uma parte do protocolo de assistência à vítima, que deve incluir cuidados adicionais, como a profilaxia pós-exposição (PEP) e outros serviços de apoio.

A discussão sobre a gravidez na adolescência é complexa, com dados indicando que uma proporção significativa de gestações não é planejada. Faisal observa que cerca de 50% das gestações em geral e até 80% entre adolescentes são não planejadas, ressaltando a relevância da CE nesse contexto. Embora existam casos de jovens que desejam a maternidade, a maioria das gestações nessa faixa etária ocorre sem intenção.

Cristiane também menciona uma redução nas taxas de fecundidade entre jovens de 15 a 19 anos no Brasil, observando que a próxima Pesquisa de Demografia e Saúde (PNDS) pode esclarecer a influência da contracepção de emergência nesse cenário. Ela conclui que, apesar das limitações, os dados da PeNSE indicam um movimento positivo em direção ao controle da capacidade reprodutiva entre adolescentes, mesmo que isso ocorra por meio da CE. Essa busca por autonomia reprodutiva é um aspecto importante a ser valorizado na sociedade.

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