Desde o fim de março, o curta-metragem documentário “O Canto do Rio” tem circulado pelo circuito exibidor do Recife, abordando a luta da comunidade do Pontal de Maracaípe contra a privatização de seu território. O filme, dirigido por Rostand Costa, destaca-se por sua conexão com a identidade local e a resistência de lideranças comunitárias como Betinho, Leninha e Ana Paula, que enfrentam a elite e seu projeto de cercar parte da natureza, impactando diretamente a vida da comunidade.
Rostand Costa, um autodidata no audiovisual, começou sua carreira no cenário cultural pernambucano realizando videoclipes, influenciado pela ideologia do hip-hop e pela vivência nas periferias de Santo Amaro e Afogados. Desde pequeno, sua paixão pelo audiovisual surgiu ao assistir telenovelas com sua mãe, despertando sua curiosidade sobre como as produções eram feitas. Através de um computador, ele começou a editar vídeos e a se envolver em campanhas publicitárias, o que o levou a adquirir uma câmera e explorar a direção de fotografia.
O hip-hop desempenhou um papel crucial na formação da voz autoral de Costa, proporcionando um espaço de expressão e conexão com artistas que compartilhavam interesses semelhantes. As batalhas de rap na Região Metropolitana do Recife foram fundamentais para construir seu portfólio e estabelecer sua reputação no cenário. Ele colaborou com artistas renomados como Amaro Freitas, que compôs a trilha sonora de “O Canto do Rio”, e outros nomes da cena musical local, fortalecendo sua base ideológica e artística.
Para Costa, o hip-hop não apenas lhe deu identidade como também uma compreensão da importância da coletividade e da luta social. Ele sempre sentiu a necessidade de confrontar as injustiças que o incomodavam, e o rap serviu como uma ferramenta para expressar essa indignação. Ao decidir produzir um documentário, ele buscou contar histórias que ressoassem com sua vivência e com as lutas enfrentadas por comunidades periféricas.
“O Canto do Rio” é, portanto, um reflexo dessa conexão entre o diretor e a comunidade de Maracaípe, onde ele viu paralelos com a vida de seus pais, que lutaram por dignidade e sobrevivência em suas atividades comerciais. A narrativa do filme aborda não apenas a privatização e especulação imobiliária, mas também a luta coletiva por resistência e organização, um tema que se repete ao longo da história.
Costa enfatiza que a luta da periferia é universal, afirmando que os problemas enfrentados por comunidades negras são similares em diferentes localidades. O documentário, portanto, não se limita a um único contexto, mas busca traçar um panorama das lutas coletivas que transcendem fronteiras, unindo vozes em uma narrativa de resistência.
Em suma, “O Canto do Rio” representa a intersecção entre arte, luta social e identidade, destacando a importância do audiovisual como um meio de contar histórias e mobilizar a comunidade em torno de causas comuns. A obra de Rostand Costa é um convite à reflexão sobre as realidades enfrentadas por muitos e a necessidade de ação coletiva para preservar direitos e territórios.
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