Nadine Marques, nutricionista e pesquisadora da Cátedra Josué de Castro, aborda o que ela chama de “mito do déficit proteico”, que tem influenciado a percepção da população sobre a necessidade de consumo de proteínas. Este mito sugere que existe um risco elevado de deficiência proteica, especialmente ligada à desnutrição infantil, e foi construído em grande parte por interesses econômicos do sistema agroalimentar, que prioriza a produção de alimentos de origem animal. Marques menciona o exemplo dos Estados Unidos, onde a produção excessiva de leite em pó e outras formulações ricas em proteínas levou à promoção desses produtos como soluções para uma suposta falta de proteínas na dieta.
De acordo com a nutricionista, a noção de que as proteínas são um nutriente superior em relação a carboidratos e gorduras é uma ideia equivocada. Estudos demonstram que, quando há um consumo adequado de energia, a ingestão de proteínas também se torna suficiente para as necessidades do corpo. Na realidade, apenas 3% da população brasileira apresenta consumo insuficiente de proteínas, enquanto a maioria consome mais do que o recomendado. Isso gera um alerta sobre os impactos negativos que o aumento do consumo de proteínas pode ter na saúde.
O consumo excessivo de proteínas, especialmente de carnes vermelhas e processadas, está associado a problemas de saúde, como doenças metabólicas, cânceres do trato gastrointestinal e doenças cardiovasculares. Marques destaca que os hábitos alimentares que priorizam a proteína em detrimento de outros nutrientes podem ser prejudiciais à saúde humana. Além disso, a crescente demanda por proteínas tem efeitos devastadores sobre o meio ambiente. A produção intensiva de carne e outros produtos animais resulta em desmatamento, degradação da biodiversidade e esgotamento dos solos, que são utilizados para cultivo de grãos destinados à ração animal. Esse modelo de produção não apenas impacta o meio ambiente, mas também ignora os padrões de bem-estar animal e leva ao uso excessivo de antibióticos, o que gera contaminação ambiental e problemas de saúde pública.
Marques ressalta que, paradoxalmente, os alimentos que são benéficos para a saúde, como frutas, legumes e verduras, são consumidos em quantidades inferiores ao recomendado por cerca de 75% da população brasileira. Isso indica uma necessidade urgente de repensar os padrões de produção e consumo alimentar, priorizando uma dieta mais equilibrada que inclua mais vegetais e menos produtos de origem animal.
Em suma, a pesquisa de Nadine Marques traz à luz a importância de desconstruir o mito do déficit proteico e de repensar as diretrizes alimentares, promovendo uma alimentação mais saudável e sustentável. A conscientização sobre esses aspectos é fundamental para melhorar a saúde pública e preservar o meio ambiente, garantindo que as futuras gerações tenham acesso a um sistema alimentar mais equilibrado e responsável.
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