MST e Cfemea: Nova Cooperação Feminista para Mulheres do Campo

Mulheres do MST ocupam fazenda em Presidente Epitácio (SP), no Pontal do Paranapanema

No dia 14 de abril, o Armazém do Campo, em Brasília, foi palco do lançamento da Cooperação Feminista para a Sustentação da Vida, uma iniciativa que resulta de uma parceria entre o Centro Feminista de Estudos e Assessoria (Cfemea) e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). A proposta, que se desenvolveu a partir de encontros realizados desde setembro, visa fortalecer a autonomia das mulheres do campo e foi construída com a participação ativa de mulheres de acampamentos e assentamentos no Distrito Federal e Goiás, como os acampamentos Pepe Mujica e Noelto Angélico, e os assentamentos Canaã e Elxadai.

O projeto começou com um Laboratório Organizacional Feminista para a Sustentação da Vida, que envolveu mais de 60 mulheres em um processo formativo autogestionário. Esse ciclo de formação, que teve duração de 70 dias, combinou teoria e prática, integrando oficinas no Centro de Formação Gabriela Monteiro com atividades nos próprios territórios das participantes. O evento de lançamento simboliza a culminação desse processo, que buscou não apenas a criação de uma cooperativa, mas um novo modelo de organização econômica que une trabalho, autocuidado e cuidado coletivo.

A Cooperativa Feminista para a Sustentação da Vida (Coofesus) foi idealizada para ser um espaço de produção e comercialização, mas também para promover a valorização do trabalho reprodutivo, historicamente atribuído às mulheres. Guacira Cesar de Oliveira, coordenadora do Cfemea, enfatiza a inovação da proposta, que visa romper com modelos tradicionais de organização e propõe uma resposta feminista e política às desigualdades estruturais. A coooperativa busca conectar a produção de alimentos com a geração de renda e a autonomia das mulheres, unindo dimensões frequentemente separadas na economia.

No laboratório, foram utilizadas metodologias como assembleias autogestionadas e ferramentas de gestão coletiva, que permitiram uma organização horizontal sem hierarquias fixas. As participantes desenvolveram comissões para as áreas de administração e finanças, comunicação e memória, e formação, autocuidado e cuidado coletivo. Também foi elaborado um projeto econômico que inclui estratégias de comercialização, como feiras e plataformas digitais, além do mapeamento dos recursos necessários para viabilizar a iniciativa.

Guacira destaca que a experiência transcende a dimensão econômica, promovendo transformações individuais e coletivas que conectam práticas cotidianas a um projeto político mais amplo. A proposta visa atuar tanto na micropolítica, transformando a vida das mulheres, quanto na macropolítica, ao sugerir novas formas de organização social.

O lançamento da Cooperação Feminista para a Sustentação da Vida ocorreu das 16h às 20h e foi aberto ao público, simbolizando um passo significativo na luta pela autonomia e valorização do trabalho das mulheres no campo. A iniciativa representa um esforço conjunto para desafiar as desigualdades e construir um futuro mais igualitário e sustentável, através da força e da solidariedade feminina.

Fonte: Link original

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