A análise mais recente do Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que a economia mundial será impactada pela guerra no Oriente Médio, com uma previsão de crescimento de 3,1% para este ano, uma redução de 0,2 ponto percentual em relação à estimativa anterior. A situação é complexa, pois o impacto da guerra será desigual entre diferentes regiões e países. Os Estados Unidos, por exemplo, deverão ser menos afetados, com crescimento projetado de 2,3% em 2026, uma ligeira queda de 0,1 ponto em comparação com previsões anteriores.
O economista-chefe do FMI, Pierre-Olivier Gourinchas, enfatizou que essas previsões se baseiam na suposição de que o conflito será breve, levando a uma perturbação temporária do mercado de energia, que poderia se normalizar no ano seguinte. Contudo, se a guerra se prolongar, o cenário pode ser alarmante, com um crescimento potencial reduzido a apenas 2%, lembrando crises passadas, como a de 2008 e a pandemia de 2020.
Uma reunião incomum entre líderes do FMI, do Banco Mundial e da Agência Internacional de Energia (AIE) destacou as preocupações sobre o abastecimento global de energia. O diretor da AIE, Fatih Birol, alertou que abril pode ser um mês crítico em termos de fornecimento energético. O aumento acentuado nos preços do petróleo deverá impulsionar a inflação, que deve atingir uma média global de 4,4%, 0,6 ponto acima do que foi previsto anteriormente.
As repercussões do conflito não serão uniformes. Países emergentes e em desenvolvimento enfrentarão um aumento mais acentuado nos preços em comparação com economias avançadas, onde a inflação tende a estabilizar-se mais rapidamente. A região mais afetada será o Oriente Médio, Norte da África e Ásia Central, onde o crescimento será reduzido à metade. A Arábia Saudita, a principal economia da região, teve sua previsão de crescimento ajustada para 3,1%, uma queda de 1,4 ponto em relação à estimativa anterior.
Na América Latina e no Caribe, as perspectivas de crescimento são ligeiramente mais otimistas, com uma previsão de 2,3%. Entre os países emergentes, o impacto do conflito será desigual: a África Subsaariana e a Europa Central e do Leste sofrerão uma revisão mais acentuada das previsões de crescimento, enquanto a Ásia deverá sentir menos os efeitos da guerra. A China, por exemplo, terá uma perda mínima de 0,1 ponto, alcançando 4,4%, enquanto a Índia verá um crescimento revisado para 6,5%.
Surpreendentemente, a Rússia pode se beneficiar do aumento dos preços do petróleo, com uma previsão de crescimento de 1,1%, em comparação com 0,8% anteriormente. Esse aumento nas receitas de exportação foi um fator que levou o FMI a revisar suas projeções para o país.
Na zona do euro, as previsões de crescimento foram reduzidas em 0,2 ponto para 1,1%, com impactos variados entre os países. A Espanha deverá registrar um crescimento de 2,1%, enquanto a Alemanha e a França terão projeções de 0,8% e 0,9%, respectivamente. Assim, a economia global enfrenta um cenário incerto, com a guerra no Oriente Médio servindo como um fator de risco significativo que pode moldar o futuro econômico para muitos países.
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