O Plano Nacional de Adaptação (PNA) foi criado em um contexto de governo progressista, mas sua implementação ocorreu durante um período de intensa turbulência política no Brasil, de 2016 a 2020. Essa fase foi marcada pela ascensão da extrema-direita, resultando em uma polarização significativa e cortes drásticos no orçamento destinado a iniciativas ambientais e climáticas, especialmente durante os dois primeiros anos do governo Bolsonaro. A pesquisadora Marina Briant destaca que a alocação de recursos para a adaptação climática no Brasil foi extremamente baixa, correspondendo a apenas 0,008% do Produto Interno Bruto (PIB). Essa quantia é considerada insuficiente, especialmente quando comparada à recomendação do Grupo Banco Mundial, que sugere que países em desenvolvimento deveriam investir em média 1,4% do PIB anualmente para lidar com a crise climática.
Durante o período analisado, o único aspecto relacionado à adaptação climática que viu um aumento foi o financiamento internacional. Quase 90% dos recursos estrangeiros recebidos pelo Brasil vieram da França e da Alemanha, especialmente entre 2019 e 2020. Briant sugere que essa dinâmica ocorreu porque esses países, ao perceberem a falta de vontade do governo federal em implementar políticas climáticas, optaram por firmar acordos com governos subnacionais, como o do Paraná, para canalizar os recursos. Outra explicação possível é que os financiamentos eram orçamentos represados, que foram autorizados posteriormente, indicando uma questão administrativa.
O PNA, que foi assinado durante a Conferência das Partes (COP21) em Paris, foi uma resposta do governo federal à vulnerabilidade do Brasil frente às mudanças climáticas. Sua elaboração contou com a participação da sociedade civil, do setor privado e dos governos estaduais. No entanto, o plano ainda enfrenta desafios significativos, como a falta de atualizações regulares e a adoção inconsistente de suas metas. Briant observa que frequentemente se supõe que a criação de políticas, como o PNA, venha acompanhada de recursos adequados para sua implementação, mas a realidade se mostrou diferente. A pesquisadora critica a forma como o PNA se desenvolveu, chamando-o de “colcha de retalhos” que buscou conciliar interesses diversos, mas que falhou em estabelecer uma estratégia coesa e efetiva para a adaptação às mudanças climáticas.
Em resumo, o PNA representa uma tentativa de enfrentar a crise climática no Brasil, mas a sua eficácia foi comprometida por um contexto político desfavorável, cortes orçamentários e a falta de uma abordagem integrada e sistemática. A análise de Briant sugere que, para que o Brasil possa realmente avançar na adaptação às mudanças climáticas, é fundamental aumentar os investimentos e garantir a implementação consistente das metas estabelecidas no plano. O cenário atual revela a necessidade urgente de uma nova estratégia que permita ao país lidar de forma mais eficaz com os desafios impostos pela mudança do clima.
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