IBGE confirma censo inédito da população em situação de rua em 2028

IBGE anuncia primeiro censo da população em situação de rua para 2028

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anunciou a realização do 1º Censo Nacional da População em Situação de Rua, que ocorrerá entre 3 e 7 de julho de 2028, com os resultados preliminares previstos para serem divulgados em dezembro do mesmo ano. A iniciativa foi lançada em eventos nas cidades de Belém, Rio de Janeiro e São Paulo, com a presença do presidente do IBGE, Marcio Pochmann, que destacou a importância da pesquisa para a formulação de políticas públicas voltadas a essa população vulnerável.

Pochmann enfatizou que a metodologia do censo poderá servir de modelo para outros países, permitindo uma melhor compreensão do perfil e das origens das pessoas em situação de rua no Brasil. Ele lembrou que a contagem mais antiga de moradores de rua ocorreu em São Paulo na virada das décadas de 1980 para 1990, quando foram identificadas 3.393 pessoas. Em contraste, um levantamento realizado em 2025 indicou um aumento significativo, com 101 mil pessoas nessa situação. Para Pochmann, a crescente presença de brasileiros sem domicílio fixo deve ser tratada como um problema nacional, que requer atenção e orçamento adequados, não apenas esforços de prefeituras e governos estaduais.

O presidente do IBGE destacou que o financiamento do censo será incluído na proposta orçamentária que o governo federal enviará ao Congresso Nacional em agosto. Ele acredita que essa pesquisa representará uma “dívida” do IBGE com a população em situação de rua, contribuindo para dar visibilidade a pessoas que muitas vezes vivem à margem da sociedade. O censo será realizado em parceria com instituições e movimentos sociais, utilizando uma metodologia desenvolvida em diálogo com a sociedade civil, o que marca um avanço na produção de informações oficiais sobre esse grupo.

Durante o evento no Rio de Janeiro, Igor Santos, um morador de rua, expressou que as circunstâncias da vida frequentemente levam as pessoas a essa situação e que a discriminação é um desafio constante. Ele pediu ajuda em um contexto onde muitos são olhados com desprezo. Além disso, Flávio Lino, secretário-geral do Movimento Nacional da População de Rua do Rio de Janeiro, destacou que a realização do censo pode provocar mudanças estruturais no país. Ele informou que pessoas que têm experiência de vida nas ruas serão contratadas para colaborar na pesquisa, garantindo que o levantamento seja preciso e representativo.

A realização deste censo é vista como um passo crucial para entender e abordar a complexa realidade das pessoas em situação de rua no Brasil. Ao coletar dados abrangentes e detalhados, o IBGE busca não apenas mapear essa população, mas também fornecer informações que possam subsidiar políticas públicas mais eficazes e inclusivas. A expectativa é que o censo contribua para reduzir a invisibilidade desse grupo e ajude a sociedade a enfrentar os desafios que eles enfrentam diariamente. Com a participação ativa de movimentos sociais e de pessoas que vivenciaram essa realidade, o censo promete ser um marco na forma como o Brasil compreende e lida com a questão da população em situação de rua.

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