A missão Artemis II, da NASA, marca um importante passo na exploração lunar, e um dispositivo inovador desenvolvido pela startup paulista Condor Instruments, co-fundada pelo engenheiro Rodrigo Trevisan Okamoto, desempenhará um papel crucial nesse empreendimento. O dispositivo, conhecido como actígrafo, é um relógio de pulso equipado com acelerômetros e sensores de luz e temperatura, projetado para monitorar com precisão os padrões de sono, atividade física e interações dos astronautas durante a missão. A NASA começou a utilizar o actígrafo a partir de 2023, após um período de testes de dois anos com a equipe.
O actígrafo funciona através da detecção da frequência e intensidade dos movimentos do braço, permitindo inferir os períodos de repouso e atividade do astronauta. Ele também possui sensores que monitoram a exposição à luz em diferentes espectros, fundamentais para entender a influência da luz na regulação do “relógio biológico” interno, que é crítico para o sono e a vigília. No ambiente espacial, onde os astronautas podem enfrentar ciclos de luz e escuridão constantes, a falta de referências naturais pode desregular o sono, um fator relevante nas missões de longa duração.
Na Estação Espacial Internacional (ISS), os astronautas experimentam até 16 alvoreceres e entardeceres em um único dia, o que pode causar privação de sono e déficits cognitivos. Para mitigar esses efeitos, a ISS utiliza sistemas de iluminação que simulam o ciclo terrestre. A NASA, por meio do projeto Archer, está investigando como fatores como luz e cafeína afetam o sono dos astronautas, uma necessidade que se tornou evidente desde a fundação da cronobiologia, apoiada pela agência.
O actígrafo brasileiro se destacou entre opções internacionais por integrar a monitorização da atividade motora, exposição à luz e temperatura corporal, além de medir a luz melanópica, que tem um impacto significativo no sistema de regulação do sono. A temperatura do corpo humano, que diminui durante o sono, é um aspecto fundamental que o dispositivo monitora.
O actígrafo também possui um botão de eventos, permitindo que os astronautas registrem momentos significativos durante a missão. Os dados coletados serão utilizados para otimizar o design de futuras espaçonaves e garantir a segurança em missões de longa duração.
A trajetória do actígrafo começou com a pesquisa em cronobiologia, liderada pelo professor Mario Pedrazzoli Neto. A necessidade de um dispositivo mais avançado levou à colaboração com Okamoto e outros estudantes da Escola Politécnica da USP, resultando na criação de um produto comercial com o apoio da Fapesp. Atualmente, a startup exporta 80% de sua produção, atendendo a mais de 40 países e contribuindo para diversas pesquisas.
A parceria com a NASA é vista como uma oportunidade valiosa para a startup, que busca continuar fornecendo actígrafos para as próximas etapas da missão Artemis, incluindo o programado pouso no polo sul da Lua em 2028. A colaboração entre a Condor Instruments e a NASA não apenas representa um marco na exploração espacial, mas também destaca a importância da tecnologia desenvolvida localmente no contexto internacional.
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