Ondas de calor extremas: risco de fatalidade crescente no Brasil

Imagem aérea do centro da cidade de São Paulo, com poucas áreas verdes e dezenas de prédios. A foto está posterizada, ressaltando os tons vermelhos e amarelos representando o calor

Tercio Ambrizzi, professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP, aborda as implicações das mudanças climáticas em eventos de calor extremo, conforme discutido em um artigo recente da revista “Comunicações da Natureza”. A pesquisa destaca que, em diversas partes do mundo, condições de calor intensas têm causado um aumento alarmante no número de mortes, totalizando quase 80 mil casos em eventos analisados na Ásia, Europa e Austrália. Essa situação é particularmente crítica para idosos, que, ao serem expostos ao calor e umidade por longos períodos, enfrentam riscos fatais.

Ambrizzi ressalta que, nos últimos 20 anos, a frequência e a intensidade das ondas de calor aumentaram significativamente. Ele observa que essas ocorrências são mais prevalentes em áreas urbanas, onde a densidade populacional e a falta de áreas verdes agravam a situação. Regiões de baixa renda, com escassa arborização, tendem a registrar temperaturas mais elevadas em comparação a áreas mais arborizadas e de maior renda. Essa desigualdade não apenas reflete condições socioeconômicas, mas também impacta de maneira desproporcional grupos vulneráveis, como idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas.

Em muitos casos, a associação entre calor extremo e mortalidade é complexa. Ambrizzi explica que frequentemente as mortes ocasionadas por ondas de calor não são devidamente registradas nos hospitais, uma vez que os sintomas são frequentemente subnotificados. Pacientes podem ser admitidos com condições que não são diretamente atribuídas ao calor, dificultando a compreensão total do impacto dessas ondas.

Diante desse cenário, Ambrizzi propõe que a sociedade deve se adaptar a este “novo normal” de ondas de calor mais intensas e frequentes. Para mitigar os efeitos adversos do calor extremo, ele sugere uma série de medidas que incluem a criação de sistemas de alerta, planos de ação e a implementação de refúgios térmicos em áreas urbanas. A arborização é destacada como uma das soluções mais eficazes para combater a formação de ilhas de calor nas cidades, que resultam de práticas urbanas como o uso excessivo de concreto e a falta de espaços verdes.

O professor também menciona os sinais físicos que indicam quando o corpo humano está tendo dificuldades em lidar com o calor, como sede intensa, fraqueza e tontura. Se esses sintomas evoluírem para confusão mental ou vômitos, a recomendação é procurar atendimento médico imediato.

Em suma, a pesquisa e as reflexões de Tercio Ambrizzi evidenciam a urgência em se adaptar às mudanças climáticas e suas consequências, especialmente em relação aos eventos de calor extremo. A implementação de políticas públicas eficazes e a promoção de áreas verdes nas cidades são fundamentais para proteger as populações mais vulneráveis e salvaguardar a saúde pública em um cenário de aquecimento global crescente.

Fonte: Link original

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