Um estudo recente revelou que jovens LGBTQIAPN+ apresentam taxas de consumo de substâncias psicoativas significativamente mais altas do que jovens cis-heterossexuais. Os dados mostram que 48% dos membros dessa comunidade utilizam tabaco, em comparação a 37% dos cis-heterossexuais, e 40% consomem maconha, frente a 27% do outro grupo. O uso de cocaína também é mais elevado entre os jovens LGBTQIAPN+, com 7,4% relatando consumo, enquanto entre os cis-heterossexuais essa taxa é de 3,6%. O consumo de álcool, no entanto, apresentou números semelhantes: 85,9% dos jovens LGBTQIAPN+ contra 83,7% dos cis-heterossexuais.
As análises do estudo também indicaram diferenças significativas baseadas no sexo de nascimento. As pessoas designadas como mulheres ao nascer não apenas relataram maior uso de tabaco, maconha e cocaína, mas também iniciaram o uso dessas substâncias mais precocemente, entre 10 e 15 anos, enquanto mulheres heterossexuais começaram entre 13 e 17 anos. Além disso, as mulheres bissexuais mostraram as maiores taxas de uso entre o grupo LGBTQIAPN+, com 77,9% utilizando álcool, 26,3% tabaco, 56% maconha e 9,2% cocaína.
O estudo também investigou a relação entre cor da pele e status socioeconômico, mas não encontrou diferenças significativas nesses aspectos. O que se destacou foram os riscos ampliados que os jovens LGBTQIAPN+, especialmente as mulheres bissexuais, enfrentam em termos de uso precoce e elevado de substâncias. Os pesquisadores, liderados por Caio Figueiredo, apontaram que fatores sociais e estruturais, como discriminação, estigma e exclusão social, influenciam o consumo mais frequente e precoce de substâncias entre esses jovens. Figueiredo, que é psiquiatra assistente no Instituto de Psiquiatria da FMUSP, enfatiza que experiências de preconceito e rejeição aumentam o sofrimento psicológico, levando muitos a buscar alívio no uso de drogas.
Diante desses achados, o estudo sugere a necessidade de implementar estratégias de prevenção que considerem o gênero e a diversidade sexual dos jovens brasileiros. Essas ações devem ser integradas a programas escolares, comunitários e intervenções digitais, visando alcançar adolescentes em contextos de vulnerabilidade. Figueiredo expressou a expectativa de que os dados coletados possam contribuir para a formulação de políticas públicas mais sensíveis às realidades das populações marginalizadas.
O artigo, intitulado “Padrões de uso e iniciação de substâncias entre jovens LGBTQIAPN+ no Brasil”, foi publicado em abril e apresentado no Brain Congress 2025, onde Figueiredo recebeu o Prêmio Jovem Pesquisador. A pesquisa foi desenvolvida em conjunto com outros membros do Centro de Investigação em Saúde Mental (CISM), que é vinculado à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e envolve várias universidades. O objetivo do estudo é promover um olhar mais humano e sensível sobre a saúde da comunidade LGBTQIAPN+ no Brasil, buscando transformar as práticas clínicas e sociais em resposta aos estigmas enfrentados.
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