Participantes da Escola de Bioinsumos na China defendem solos

Participantes do Programa Internacional de Capacitação em Gestão Sustentável e Tecnologia de Compostagem Acelerada de Resíduos Orgânicos, realizado em Suzhou, província de Jiangsu, na China.

A Importância da Soberania do Solo: Reflexões da Escola Internacional de Bioinsumos na China

A sexta edição da Escola Internacional de Bioinsumos, realizada em Suzhou, na China, trouxe à tona reflexões cruciais sobre a relação entre solo e soberania alimentar. O professor argentino Hernán Cuevas Gómez, um dos principais líderes do evento, enfatizou que "os solos dos nossos países devem ser vistos como uma questão nacional". Essa afirmação resume o espírito do programa, que visa fortalecer a produção local de bioinsumos e compostagem acelerada como pilares da autonomia alimentar.

Organizada pela Universidade Agrícola da China (UAC) em colaboração com a Baobab, uma associação dedicada à cooperação popular, a escola contou com o apoio do Ministério da Ciência e Tecnologia da China. Durante duas semanas, representantes de países da Ásia, África e América Latina participaram de um extenso programa de capacitação, abordando desde a compostagem até o uso de fertilizantes organominerais.

A professora Sabrina Naz, da Universidade de Rajshahi, em Bangladesh, destacou que a principal lição do curso foi a importância da saúde do solo para a agricultura. Segundo ela, "preservar o solo é fundamental para aumentar a produção de alimentos e garantir a qualidade dos produtos".

A situação do solo é uma preocupação compartilhada por muitos participantes. Jamila El Abboudi, doutoranda na Universidade Abdelmalek Essaâdi, em Marrocos, alertou para o empobrecimento do solo em seu país, resultado de práticas agrícolas convencionais voltadas para o mercado europeu. Para ela, a agroecologia se tornou uma necessidade, não uma opção, para restaurar a saúde do solo e garantir a soberania alimentar.

Tecnologia e Práticas Sustentáveis

O professor Li Ji, da UAC, é um dos responsáveis por capacitar os participantes sobre as tecnologias de compostagem. Ele e sua equipe trabalham há quase 30 anos na recuperação do solo, utilizando fertilizantes orgânicos para reduzir a dependência de produtos químicos. Li enfatiza que a agricultura ecológica é essencial para a saúde humana e a segurança alimentar.

A edição de Suzhou foi a sexta de um projeto que começou em 2023, já tendo contado com a participação de mais de 300 pessoas de cerca de 30 países. O foco do programa é proporcionar formação técnica em tecnologias estratégicas para a agroecologia e promover a troca de experiências entre os participantes.

Os bioinsumos, como fertilizantes orgânicos e inoculantes microbianos, desempenham um papel fundamental na promoção da fertilidade do solo e na produção de alimentos saudáveis. Caroline Gomide, co-coordenadora da escola e pesquisadora da Universidade de Brasília (UnB), ressaltou que esses insumos são essenciais para a transição para uma agricultura mais sustentável.

Desafios e Oportunidades para a Soberania Alimentar

O cenário atual apresenta grandes desafios. Desde fevereiro de 2026, a interrupção de exportações de fertilizantes devido a conflitos geopolíticos elevou os preços e acentuou a dependência dos países do Sul Global em relação a insumos químicos. Para Li Ji, essa situação destaca a necessidade urgente de desenvolver a produção local de fertilizantes orgânicos.

A professora Sabrina Naz, ao comentar sobre a dependência de Bangladesh, alertou: "Produzimos apenas 25% do fertilizante que usamos, o que nos torna vulneráveis". Em Marrocos, Jamila El Abboudi também enfatizou que o controle do setor agrícola por grandes empresas prejudica a produção local, que é direcionada para o mercado europeu em detrimento das necessidades internas.

Avanços na Cooperação Internacional

O Brasil também dá passos significativos na produção de bioinsumos. Desde a sanção da Lei 15.070, que regula a produção e comercialização desses insumos, a cooperação com a China se fortaleceu. A UAC e a UnB estão implementando projetos-piloto para a compostagem acelerada, buscando ampliar a produção local e reduzir a dependência de insumos químicos.

A troca de experiências entre Brasil e China é promissora. A implementação de técnicas de remineralização e compostagem, que combinam conhecimentos dos dois países, pode transformar a produção agrícola, tornando-a mais sustentável e autônoma.

Na visão de Cuevas Gómez, a vontade política é essencial para impulsionar essa mudança. "Devemos discutir o investimento na produção de biofertilizantes e como o Estado e o setor privado podem promover essa iniciativa", afirmou.

Com o aumento da demanda por bioinsumos, que cresce a uma taxa de 15% ao ano, é essencial que os pequenos agricultores sejam protagonistas nesse processo. A construção de uma rede autônoma de produção de bioinsumos é fundamental para garantir a soberania alimentar e romper com a lógica de dependência.

Conclusão

A Escola Internacional de Bioinsumos em Suzhou não apenas destacou a importância da saúde do solo, mas também reforçou a necessidade de um compromisso global com a soberania alimentar. A colaboração entre países e a troca de conhecimentos são fundamentais para enfrentar os desafios atuais e construir um futuro mais sustentável para a agricultura no Sul Global.

Fonte: Link original

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Publicidade

Categorias

Publicidade
Publicidade

Assine nossa newsletter

Publicidade

Outras notícias