MP-SP investiga PMs por atividade com orixás em escola

MP-SP investiga PMs por atividade com orixás em escola

Ministério Público de São Paulo Investiga Ação de Policiais em Escola Municipal

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) abriu um inquérito civil para investigar a entrada de policiais militares armados em uma escola municipal após o término de uma atividade pedagógica sobre a cultura afro-brasileira. O incidente ocorreu na Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) Antônio Bento, localizada no bairro Caxingui, na zona oeste da capital.

A intervenção policial foi desencadeada por uma denúncia feita pelo pai de uma aluna de quatro anos, que também é policial militar. Ele questionou uma atividade que utilizava o livro “Ciranda em Aruanda” como parte do currículo sobre a cultura e mitologia dos orixás, inserido nas diretrizes de educação para relações étnico-raciais da rede municipal.

De acordo com o MP-SP, existem indícios de intolerância religiosa e possível constrangimento à equipe gestora da escola. O promotor responsável pela investigação ressaltou que não havia registro de crime que justificasse a presença dos policiais no local. Além disso, a apuração vai examinar se houve abuso de poder durante a abordagem aos educadores.

Depoimentos e imagens de câmeras corporais dos agentes indicam que não havia motivo para a intervenção policial naquele momento. O Ministério Público enfatizou que o ensino da história e cultura afro-brasileira é parte integrante das diretrizes educacionais estabelecidas pela legislação brasileira.

A Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo informou que está colaborando com as investigações e fornecendo as informações solicitadas. A gestão estadual também mencionou que procedimentos anteriores realizados pelas polícias Civil e Militar já foram concluídos e enviados ao Poder Judiciário.

O episódio ganhou destaque nas redes sociais após a divulgação das imagens das câmeras corporais, que mostraram discussões entre os policiais e a direção da escola sobre o conteúdo da atividade educativa. O caso tem sido citado por diversas entidades e parlamentares como um exemplo de debate em torno da intolerância religiosa, da autonomia pedagógica e do papel das forças de segurança em ambientes escolares.

A continuidade da investigação promete trazer mais clareza sobre a situação e seus desdobramentos, enquanto o debate sobre a educação e a segurança nas escolas se intensifica.

Fonte: Link original

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