A Educação Pública em Crise: Rio de Janeiro e São Paulo com as Piores Avaliações
Uma nova pesquisa revela que os cidadãos de Rio de Janeiro e São Paulo estão entre os mais críticos em relação à qualidade das escolas públicas em seus estados nos últimos quatro anos. Os dados, coletados na pesquisa "O que a população pensa sobre a educação 2026", mostram que 25% dos entrevistados afirmam que a situação das instituições de ensino piorou nesse período.
Por outro lado, apenas 38% dos entrevistados no Rio de Janeiro e 33% em São Paulo acreditam que a qualidade das escolas melhorou. Esses índices são os mais baixos entre as 27 unidades federativas do Brasil.
A pesquisa, realizada pelo Instituto Ideia a pedido de várias fundações e instituições educacionais, entrevistou 20 mil brasileiros com 16 anos ou mais entre maio e julho de 2023. A margem de erro é de 1 ponto percentual. No cenário nacional, 49% dos participantes consideram que a qualidade das escolas públicas melhorou, enquanto 17% acreditam que piorou.
A região Nordeste se destaca com uma avaliação mais positiva, onde 56% dos entrevistados afirmam que a situação melhorou. Os estados de Alagoas (66%), Ceará e Sergipe (65% cada) lideram entre os mais bem avaliados.
Desempenho e Percepção da Educação
Pedro Rodrigues, coordenador de políticas educacionais do Todos pela Educação, aponta que a população consegue perceber as diferenças na qualidade da educação pública. "São Paulo e Rio de Janeiro exemplificam essa relação. Ambos não estão entre os melhores resultados educacionais do país e recebem avaliações mais críticas", afirma.
Nos últimos quatro anos, São Paulo foi governado por Tarcísio de Freitas, enquanto o comando do Rio de Janeiro esteve sob Cláudio Castro até março deste ano. Ao serem questionados sobre a qualidade das escolas públicas, 31% dos cariocas consideram que é "ótima" ou "boa", enquanto 28% a avaliam como "ruim" ou "péssima". Em São Paulo, os números são de 38% e 26%, respectivamente.
Em contrapartida, Santa Catarina, Ceará e Paraná são destacados como os estados com as melhores avaliações, com 60%, 59% e 57% de respostas positivas, respectivamente.
Prioridades para o Futuro da Educação
Diante desse panorama, a pesquisa também revelou as prioridades da população para os próximos anos. Melhorar os salários e as condições de trabalho dos professores é a principal demanda, citada por 53% dos entrevistados. Em seguida, a ampliação de cursos técnicos e a alfabetização infantil até os 8 anos foram mencionadas por 48% e 47% dos participantes, respectivamente.
Além disso, 83% dos entrevistados defendem que a alfabetização deve ser uma prioridade nas pautas eleitorais. No entanto, apenas 25% acreditam que as crianças estão aprendendo a ler e escrever conforme o esperado.
A valorização dos professores é vista como fundamental para garantir uma educação de qualidade. O conceito de "ensino de qualidade" foi citado por 17,8% dos entrevistados, seguido pela presença de profissionais qualificados, com 13,1%.
Educação Técnica e Integral em Alta
A pesquisa também aponta que 80% dos entrevistados são a favor da expansão do ensino técnico, acreditando que isso aumentaria as oportunidades para os jovens no mercado de trabalho. No entanto, apenas 25% consideram que a escola pública prepara bem os alunos para essa realidade.
Em relação ao ensino integral, que garante aos alunos um mínimo de sete horas diárias na escola, 71% dos brasileiros já ouviram falar desse modelo. Entre pais e responsáveis, esse índice sobe para 90%. Dentre aqueles que conhecem o modelo, 52% afirmam que matriculariam seus filhos em escolas de tempo integral.
Patrícia Mota Guedes, superintendente do Itaú Social, destaca que a aprendizagem exige políticas intersetoriais e condições de trabalho adequadas para os professores. "Estamos distantes de garantir a dedicação integral do professor a uma única escola, mas a expansão da educação em tempo integral deve ser uma meta prioritária", enfatiza.
Com a educação se tornando um tema central nas próximas eleições, 83% dos entrevistados acreditam que a área deve estar entre as três prioridades do governador nos próximos quatro anos, e 71% afirmam que a atuação do governo na educação influencia diretamente seu voto.
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