Ministério Público de São Paulo Denuncia Nove Pessoas em Esquema de Lavagem de Dinheiro Relacionado ao Tráfico de Drogas e Jogos Ilegais
O Ministério Público de São Paulo (MPSP) apresentou uma denúncia contra nove indivíduos envolvidos em um extenso esquema de lavagem de dinheiro, associado ao tráfico de drogas e à exploração de jogos clandestinos. O caso também sugere conexões com a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital). A denúncia foi protocolada na última segunda-feira, 31 de outubro, e estima que o grupo movimentou cerca de R$ 126,8 milhões em transações ilícitas.
O esquema, descrito pelos próprios participantes como “compra de dinheiro”, funcionava da seguinte maneira: empresários recebiam grandes quantias em dinheiro vivo e, em troca, realizavam transferências bancárias a pessoas e empresas indicadas pelos fornecedores do numerário. As comissões cobradas pelas operações variavam entre 1,5% e 4%.
De acordo com informações da Polícia Civil, a estimativa de R$ 126,8 milhões representa um valor conservador, considerado um piso da movimentação financeira ilegal identificada. Esse cálculo foi baseado em documentos, excluindo planilhas com erros aritméticos e registros ilegíveis, e ainda passará pela análise do Laboratório de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro.
Este desdobramento é resultado da Operação Falsa Las Vegas, realizada em maio, que resultou no bloqueio de R$ 6 bilhões em contas vinculadas a pessoas físicas e jurídicas sob investigação. Entre os alvos da operação estavam a Aposte Fácil, uma casa de apostas autorizada pela Loterj, e um site ilegal chamado Black Vegas, hospedado no exterior.
Eduardo Moreno Lopes, conhecido como "Tio", é apontado como o líder do esquema e se encontra foragido. Mensagens interceptadas e depoimentos de testemunhas indicam que ele controlava as movimentações financeiras de diversas empresas que supostamente recebiam dinheiro ilícito. A defesa de Eduardo negou as acusações, alegando que a denúncia se baseia em uma investigação incompleta e que ele tem atuado em atividades empresariais legítimas por mais de 25 anos.
A denúncia menciona ao menos 29 CNPJs de diferentes setores, como venda de autopeças e aluguel de veículos, envolvidos na rede financeira clandestina. As operações se concentravam em cidades da região metropolitana de São Paulo, incluindo Osasco e Barueri. A investigação coletou testemunhos que corroboram as suspeitas, incluindo um depoimento de Marcelo Lopes, irmão de Eduardo, que confirmou a troca de dinheiro vivo por depósitos bancários com um dos grupos investigados.
Durante uma operação em dezembro de 2025, a polícia encontrou anotações que ligavam a empresa ASX Participações e Tecnologia a um site de apostas e a compra de 150 máquinas de pagamento. A ASX, que possui contratos para fornecer softwares educacionais a prefeituras, estava envolvida nas transações financeiras operadas por Eduardo Lopes. O sócio Sandro Calliari, atualmente preso, admitiu que a ASX "comprava dinheiro" de Eduardo, pagando comissões entre 3% e 4%.
As defesas de Calliari e de seu sócio, Varlei Ramos da Silva, alegam inocência e negam qualquer vínculo com atividades ilegais. Ambos afirmam que suas movimentações financeiras são legítimas e que estão à disposição da Justiça para esclarecer os fatos. A expectativa é que o processo avance, com a busca pela verdade sobre a origem e a legalidade das transações investigadas.
Este caso destaca a complexidade da lavagem de dinheiro e a intersecção com atividades criminosas, levantando questões sobre a eficácia das investigações e o combate ao crime organizado no Brasil.
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