A inflação no Brasil está atualmente dentro do teto da meta, de 4,5% ao ano, com uma taxa acumulada de 4,4% nos últimos 12 meses. Apesar disso, alguns produtos que impactam diretamente o orçamento das famílias, especialmente da classe média, podem influenciar nas eleições deste ano. Itens como plano de saúde, passagens aéreas, gasolina, educação fundamental, empregado doméstico e até perfumes estão entre os dez que mais contribuíram para a inflação, somando mais de 2,1 pontos percentuais do índice.
O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) é o indicador que mede a inflação, e sua composição é baseada na Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) realizada pelo IBGE. Essa pesquisa ajuda a entender os hábitos de consumo da população e determina a importância relativa dos produtos no cálculo do índice. Embora alguns itens tenham registrado altas significativas, como o bacalhau e consoles de videogame, seu impacto na inflação é limitado devido ao seu baixo peso na cesta de consumo das famílias. Por outro lado, a energia elétrica, que teve uma alta de 8,85%, e as passagens aéreas, que subiram quase 42%, têm um peso muito maior e, portanto, afetam mais significativamente o orçamento familiar.
A combinação da variação de preços com o peso de cada item é crucial para entender como a inflação impacta a vida da classe média. A perda da capacidade de consumo e do padrão de vida pode gerar insatisfação social e política entre esse grupo, que tende a ter uma maior participação de serviços em seu orçamento. O professor Lucio Rennó, da Universidade de Brasília, destaca que a insatisfação pode ser exacerbada pela percepção de que a classe média está arcando com os custos de políticas sociais voltadas para as camadas mais vulneráveis, sem receber contrapartidas em termos de serviços públicos e estabilidade econômica.
A insatisfação da classe média, que não quer depender do SUS (Sistema Único de Saúde) e enfrenta dificuldades financeiras, é um fator que pode impactar a popularidade do governo, que atualmente é considerada baixa em comparação a outros mandatos. A economista Janaína Feijó ressalta que o salário é um dos indicadores mais relacionados à aprovação do governo, embora a renda nominal das famílias possa ser afetada pela inflação e pelo aumento das dívidas.
Além disso, o professor Frederico Batista Pereira menciona que, embora exista uma correlação entre a variação do IPCA e a aprovação presidencial, essa relação pode não ser suficiente para produzir um efeito político mensurável. A percepção de perda de status entre a classe média, intensificada pelas redes sociais, também pode gerar insatisfação, levando a um descontentamento político.
Por fim, o professor Benjamin Rosenthal alerta que não se deve considerar apenas a inflação de itens relevantes, mas também a mudança na composição dos gastos das famílias, como o aumento das apostas, que pode acentuar a frustração por não poder consumir certos produtos. Apesar de tudo isso, a inflação não aparece entre as principais preocupações do eleitorado, que se preocupa mais com questões como segurança pública e saúde.
Fonte: Link original






























