Festival de Brasília: Noite de Cinema Queer Encanta Público

Produções com temática queer marcam segunda noite da Mostra Competitiva do Festival de Brasília

Na segunda noite da Mostra Competitiva Nacional da 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema, realizada no dia 13 de agosto, foram exibidas duas obras que abordam a temática queer: o longa “Pequenas Tragédias”, dirigido por Daniel Nolasco, e o curta “Gastronomia do Olho”, de Nicolau. Ambos os diretores e elencos compartilharam informações sobre o processo criativo e os desafios enfrentados durante a produção.

“Pequenas Tragédias” surgiu da experiência pessoal de Nolasco em sua cidade natal, Catalão, em Goiás. O diretor explicou que a ideia do filme se desenvolveu em 2019, quando retornou à cidade para registrar um projeto chamado Vento Circo. Durante os quatro meses em que ficou lá, Nolasco refletiu sobre o movimento migratório de pessoas LGBTQIA+ que deixam pequenos municípios em busca de grandes centros urbanos. Ele ressaltou que, embora a narrativa tenha inspiração em vivências reais, também incorpora elementos de ficção e fabulação. A relação ambivalente que Nolasco mantém com Catalão, uma cidade marcada pelo conservadorismo, é um elemento central na obra, que explora questões de identidade, pertencimento e violência.

O ator Guilherme Théo, que interpreta um personagem inspirado no próprio Nolasco, falou sobre o desafio de dar vida a esse papel, destacando a importância de ressignificar sua percepção sobre o diretor para construir a personagem com autenticidade. Théo também elogiou a abordagem generosa de Nolasco em relação às histórias narradas no filme, que, embora trágicas, são apresentadas com uma beleza lírica. Marcelo Camargo, que dá vida ao personagem Jonas, ressaltou a complexidade de interpretar um papel que representa o cotidiano de Catalão, enquanto Lucas Drummond, que interpreta Samuel, descreveu seu personagem como uma luz que se apaga gradualmente ao longo da narrativa, refletindo a luta de um homem gay em uma cidade pequena.

Por outro lado, “Gastronomia do Olho” é um curta que se destaca pelo seu processo colaborativo. O diretor Nicolau explicou que a obra resultou de improvisações entre os artistas, que discutiram temas como teatro, vida e morte, e a intersecção entre essas experiências. Ele enfatizou que o curta não busca respostas definitivas, mas sim provoca reflexões sobre as fronteiras entre o real e o ficcional. Nicolau também mencionou seu interesse em trabalhar com película, uma pesquisa que está desenvolvendo desde o ano anterior, buscando fomentar práticas fotoquímicas no Distrito Federal.

Ambas as obras apresentadas na mostra destacam a diversidade de vozes e experiências no cinema brasileiro contemporâneo, abordando temas relevantes para a comunidade LGBTQIA+ e explorando a complexidade das identidades em contextos sociais desafiadores. O Festival de Brasília do Cinema, ao reunir essas produções, contribui para a visibilidade e discussão sobre questões que muitas vezes permanecem marginalizadas no panorama cinematográfico nacional.

Fonte: Link original

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