Indústria enfrenta queda no índice de intenção de investimento, aponta CNI

Índice que mede intenção de investimento da indústria é o menor em 6 anos, diz CNI

O índice que mede a intenção de investimento da indústria brasileira apresentou uma queda significativa em setembro, passando de 52,6 para 51,3 pontos. Este é o menor valor registrado desde agosto de 2020, durante a pandemia de covid-19, e marca a quarta queda consecutiva do indicador, que acumula uma redução total de 3,5 pontos desde maio. Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), destacou que essa queda reflete uma perda de ritmo na atividade industrial e um aumento nas incertezas econômicas.

Em setembro, todos os quatro indicadores que avaliam as expectativas da indústria também mostraram recuo. A demanda por produtos caiu 1,4 ponto, atingindo 51,2 pontos; a compra de insumos e matérias-primas teve uma diminuição de 0,8 ponto, chegando a 50,4 pontos; a quantidade exportada recuou 0,6 ponto, para 48,9 pontos; e o número de empregados caiu 0,2 ponto, alcançando 49,2 pontos. Apesar dessas quedas, os índices relacionados à expectativa de demanda e compra de insumos permaneceram acima da linha divisória de 50 pontos, indicando que os industriais ainda projetam um aumento, embora de forma menos otimista do que em meses anteriores.

Além disso, a pesquisa revelou que o índice de evolução da produção industrial teve uma queda acentuada em agosto, com uma redução de 4,7 pontos, resultando em um total de 46,3 pontos. Esse desempenho foi o pior para o mês de agosto desde 2015, quando o Brasil enfrentava uma recessão econômica. A queda da produção industrial está ligada à diminuição contínua da demanda por bens e à incerteza política e econômica, exacerbada pela proximidade das eleições, que faz com que as empresas adotem uma postura mais cautelosa em relação a investimentos e contratações.

A Utilização da Capacidade Instalada (UCI) também registrou uma redução de 1 ponto porcentual, atingindo 69%, o que é 2 pontos abaixo da média histórica para o mês de agosto. O panorama negativo se estendeu ao emprego, com o índice de evolução do número de empregados caindo para 48,2 pontos. O índice que mede a evolução dos estoques também teve uma diminuição, caindo para 49,5 pontos, indicando uma redução nos estoques de produtos finais da indústria. Contudo, o nível de estoques ainda se manteve alinhado com o planejamento das empresas, já que o índice efetivo-planejado avançou ligeiramente.

A pesquisa da CNI, realizada entre 1º e 11 de setembro, consultou um total de 1.403 empresas, divididas entre pequenas, médias e grandes. O cenário apresentado pela Sondagem Industrial reflete um quadro desafiador para a indústria brasileira, com incertezas que dificultam o planejamento e a execução de investimentos, além de um ambiente econômico que se mostra cada vez mais frágil, levando a uma cautela generalizada por parte dos empresários.

Fonte: Link original

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