Restrição de Chips nos EUA: Como GPUs Avançadas da NVIDIA Chegam à China
As restrições impostas pelos Estados Unidos à venda de chips de inteligência artificial para a China não impedem a chegada desse hardware ao país. Uma recente investigação da C4ADS revelou que as GPUs da NVIDIA, consideradas restritas, estão sendo adquiridas por usuários chineses através de três principais rotas de desvio.
O estudo, divulgado em 9 de setembro de 2026, analisou registros governamentais, dados comerciais do Sudeste Asiático e informações empresariais para traçar um panorama das transações. Desde 2022, o Bureau of Industry and Security (BIS) dos EUA impõe controles rigorosos sobre semicondutores avançados destinados ao mercado chinês, mas as regras variam de acordo com o modelo dos chips. A partir de janeiro de 2026, por exemplo, solicitações envolvendo modelos como NVIDIA H200 e AMD MI325X podem ser analisadas individualmente, dependendo do cumprimento de critérios específicos.
1. Universidades como Compradoras Intermediárias
A primeira rota de desvio se inicia nas próprias universidades chinesas. Entre julho de 2025 e janeiro de 2026, a investigação identificou a aquisição de pelo menos 56 GPUs da NVIDIA, totalizando cerca de US$ 1,7 milhão, por instituições de ensino e pesquisa. Esses chips foram comprados através de contratos maiores, o que dificulta a fiscalização, uma vez que a maioria das instituições possui vínculos com o governo ou a indústria de defesa do país.
2. Tráfego Internacional de GPUs
A segunda rota se aproveita da complexidade da indústria global de semicondutores. A C4ADS detectou 50 remessas de GPUs restritas, avaliadas em cerca de US$ 13,4 milhões, que passaram por países como Vietnã, Índia e Malásia antes de chegar a Hong Kong ou à China entre 2023 e 2025. Embora o tráfego internacional não seja, por si só, irregular, ele complica a tarefa de rastrear o destino final dos produtos.
3. Empresas com Estruturas Complexas
A terceira rota envolve empresas com estruturas proprietárias difíceis de rastrear. Um exemplo destacado no relatório é a Megaspeed International, que importou US$ 4,6 bilhões em hardware NVIDIA entre 2022 e 2025. Esse valor, no entanto, refere-se a importações gerais e não necessariamente a contrabando. A preocupação da C4ADS reside na possibilidade de a empresa estar ligada à China, o que levanta questões sobre a transferência de tecnologia e segurança nacional.
Desafios na Supervisão e Exemplo de Contrabando
As três rotas revelam uma falha crítica: os controles são mais eficazes na venda inicial do que no monitoramento posterior dos produtos. A C4ADS acredita que os casos encontrados representam apenas uma fração do fluxo real, uma vez que sua análise se baseou em transações identificáveis.
Um caso recente ilustra bem essa situação. Em agosto de 2026, um executivo da NVIDIA, junto com outras oito pessoas, foi indiciado em Taiwan por supostamente participar de um esquema para enviar servidores com chips B300 para a China. Segundo a acusação, 74 servidores foram enviados por rotas que incluíam o Japão e a Indonésia, enquanto outros 56 foram apreendidos antes da saída de Taiwan. O uso de intermediários para disfarçar o verdadeiro destino do hardware é um reflexo das dificuldades de monitoramento já mencionadas.
A NVIDIA não foi acusada de irregularidades nesse caso e afirmou estar comprometida em cumprir as normas de exportação dos Estados Unidos, considerando o contrabando inaceitável e colaborando com parceiros para garantir a conformidade.
Conclusão
À medida que a demanda por tecnologia avançada cresce, as autoridades enfrentam o desafio de rastrear o fluxo de chips restritos. A complexidade das redes de distribuição e a falta de supervisão eficaz tornam a tarefa ainda mais difícil. É essencial que haja um fortalecimento da fiscalização e uma colaboração internacional para coibir o contrabando e garantir a segurança tecnológica global.
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