Anvisa Alerta sobre Riscos de Manipulação Caseira de Canetas Emagrecedoras
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um alerta preocupante sobre a manipulação caseira de substâncias utilizadas em canetas emagrecedoras, destacando os riscos graves de contaminação e infecções. O comunicado, publicado na quarta-feira (23), destaca que a agência identificou anúncios na internet oferecendo versões em pó de produtos como a tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, acompanhados de tutoriais para diluição e aplicação caseira.
A Anvisa enfatiza que não é possível garantir a presença do princípio ativo nessas substâncias manipuladas, levantando sérias preocupações sobre a segurança dos usuários. “Ao injetar um produto potencialmente contaminado, microrganismos podem ser introduzidos diretamente no corpo, o que pode resultar em infecções localizadas com sintomas como dor, vermelhidão e inchaço”, alerta a agência.
Em casos mais graves, a infecção pode se espalhar, provocando sepse, uma condição médica que requer intervenção urgente e pode levar à hospitalização ou até à morte. O alerta também menciona a manipulação caseira do CBL-514, um peptídeo sintético que ainda está em fase de testes e não possui autorização para comercialização. A Anvisa ressalta que o uso de medicamentos não registrados acarreta riscos significativos, devido à falta de evidências sobre sua eficácia e segurança.
A diretora Daniela Marreco, responsável pela área de medicamentos da Anvisa, destaca que a reconstituição de medicamentos injetáveis deve ocorrer em ambientes controlados e estéreis, como hospitais. “Não podemos garantir a esterilidade de produtos manipulados em casa, o que representa um risco adicional para a saúde”, afirma.
As canetas emagrecedoras, que incluem medicamentos agonistas de GLP-1, são utilizadas principalmente no tratamento de diabetes e obesidade. Produtos como semaglutida (Ozempic e Wegovy) e tirzepatida (Mounjaro) são regulamentados pela Anvisa, tendo passado por avaliações rigorosas de eficácia e segurança.
A demanda crescente por esses medicamentos, tanto para uso estético quanto fora das indicações prescritas, gerou preocupações entre profissionais de saúde e associações médicas. A Anvisa informa que farmácias de manipulação podem oferecer tirzepatida, desde que haja prescrição médica adequada, e ressalta que a venda ilegal está sendo investigada pela Polícia Federal.
A agência reitera que apenas produtos estéreis, livres de microorganismos, podem ser comercializados, e alerta para os perigos de produtos fabricados sem os controles rigorosos exigidos. “A aparência limpa de um produto não garante sua segurança”, conclui a Anvisa.
Diante de tantos riscos, a orientação é clara: procure sempre medicamentos devidamente registrados e prescritos por profissionais qualificados.
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