Pesquisador alerta: duas décadas de avanço científico perdidas na UFPE

Pesquisador alerta: duas décadas de avanço científico perdidas na UFPE

Incêndio Devasta Prédio da UFPE e Deixa Pesquisadores em Luto

Na noite de quarta-feira (7), um incêndio de grandes proporções consumiu um prédio da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), localizado no Recife. A destruição de laboratórios e projetos de pesquisa causou um impacto devastador, com o reitor da instituição estimando prejuízos em torno de R$ 100 milhões em equipamentos e material.

O edifício multiuso, que já abrigou a Diretoria de Inovação e Empreendedorismo, era um importante espaço para laboratórios nas áreas de fármacos, informática e genética. O incêndio teve início por volta das 20h, e a Polícia Federal já deu início às investigações, mas ainda não divulgou as possíveis causas do sinistro.

Pesquisadores que atuavam no local expressaram seu luto pela perda irreparável de seus projetos. O pós-doutorando Ryan Cordeiro, 29 anos, teve sua pesquisa sobre novos fármacos para a Covid-19 drasticamente afetada. Ele lamentou a perda de um banco de amostras de sangue e órgãos de animais que eram fundamentais para seus estudos. “Essas amostras eram essenciais para continuarmos nossa pesquisa sobre a doença”, afirmou.

Cordeiro destacou que um dos achados de seu trabalho foi utilizado pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) em uma cartilha de enfrentamento à Covid-19. Ele também mencionou a frustração em relação aos estudos sobre esclerose sistêmica, que estavam em fase de testes em animais. “Estávamos prestes a sintetizar fármacos eficazes, mas agora, teremos que recomeçar do zero”, lamentou.

A destruição incluiu a perda de amostras biológicas valiosas, como tumores, sangue e células imortalizadas. Cordeiro ressaltou que algumas dessas amostras eram de pacientes que já faleceram, tornando sua recuperação impossível. “Sinto que é uma perda de duas décadas de trabalho”, declarou.

A bióloga Jamile Taniele, 39 anos, também sofreu com a tragédia. Ela, que desenvolve pesquisas sobre dores crônicas associadas à Chikungunya, descreveu o incêndio como um pesadelo. “Muitos colegas estão em desespero, vivendo um luto”, disse. Taniele perdeu um acervo considerado referência em estudos sobre a doença, incluindo mais de 10 mil amostras de pacientes acompanhados por três anos. “Estamos em busca de respostas para entender a dor causada pela Chikungunya, e agora, tudo isso foi perdido”, lamentou.

A professora Michelle Melgarejo, da UFPE, destacou a importância do prédio para a pesquisa científica. “Esse incêndio representa uma grande perda para a ciência pernambucana e brasileira. Estamos atrasados em vários processos de mestrado e doutorado”, afirmou.

O ministro da Educação, Leonardo Barchini, manifestou sua tristeza com o ocorrido e afirmou que o Ministério da Educação está em contato com a reitoria da UFPE para oferecer o apoio necessário. Ele deve visitar a universidade na tarde de hoje (8) para acompanhar as investigações.

A tragédia não apenas destruiu um espaço físico, mas também apagou anos de dedicação e trabalho coletivo, deixando um sentimento de desolação entre os pesquisadores que ali desenvolveram suas carreiras.

Fonte: Link original

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