Fachin anuncia fim do inquérito das fake news com PGR

Fachin anuncia fim do inquérito das fake news com PGR

PGR Deve Pedir Arquivamento do Inquérito das Fake News, Marcando Fim de Capítulo Controverso no STF

Na próxima semana, a Procuradoria-Geral da República (PGR) deverá solicitar o arquivamento do inquérito das fake news, o que pode levar o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, a encerrar um dos episódios mais polêmicos da história recente da corte. Iniciada em 2019, a investigação se transformou em uma ferramenta poderosa para o Supremo Tribunal, especialmente nas mãos do ministro Alexandre de Moraes, que a utilizou para direcionar ações contra aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

De acordo com fontes próximas ao caso, Fachin busca concluir o inquérito o mais rápido possível. Dados obtidos indicam que, apesar de seu amplo alcance, a investigação resultou em apenas oito denúncias efetivas relacionadas a crimes como injúria, calúnia e ameaças a ministros do STF. Em contraste, o inquérito gerou cerca de 220 arquivamentos e 11 casos encaminhados a instâncias inferiores.

O inquérito, que envolve também os eventos de 8 de janeiro de 2023, contabiliza 2.015 denúncias contra aqueles que incitaram, financiaram ou executaram atos golpistas, além de outros que bloquearam rodovias após as eleições de 2022. O inquérito inicial, de número 4.781, contém aproximadamente 12 mil páginas, com uma grande parte composta por prints de redes sociais, reportagens e quebras de sigilo.

A organização desse material e a definição dos encaminhamentos se tornaram tarefas cruciais nas fases finais da investigação. Desde que Fachin assumiu a presidência do STF, ele tem priorizado a digitalização de documentos que estavam em formato físico sob a responsabilidade de Moraes, um aspecto que evidenciou a falta de transparência do processo.

A partir de 2020, a limitação do acesso aos autos do inquérito foi um ponto de crítica. Apenas os policiais federais envolvidos e o relator tinham acesso completo, enquanto procuradores, advogados e até ministros encontravam barreiras. Um advogado que atua no caso desde o início relatou ter desistido de solicitar acesso aos autos há mais de três anos, citando a dificuldade em obter informações.

Após a transição de comando do inquérito em 9 de setembro, Fachin começou a arquivar casos, incluindo investigações contra figuras proeminentes como o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, o pastor Silas Malafaia e o jornalista Guilherme Fiuza. Até o final de outubro, mais cinco inquéritos foram encerrados, com justificativas que incluíam a falta de provas e esgotamento das diligências.

O presidente do STF afirmou que todos os procedimentos serão analisados individualmente, e um levantamento sobre o número de pessoas envolvidas, medidas cautelares e outros detalhes relevantes será divulgado em breve. Fachin também se comprometeu a garantir a transparência dos atos, respeitando os limites legais de sigilo.

Entretanto, a possibilidade de arquivamento do inquérito das fake news não significa que Moraes ficará sem recursos. Nos bastidores, especula-se que o ministro poderá aplicar o mesmo modelo em novas investigações, embora nenhuma delas tenha a complexidade e abrangência do inquérito atual.

Desde seu início, o inquérito das fake news levantou questionamentos sobre a sua legitimidade, com críticos argumentando que a corte atuava como vítima, investigadora e julgadora ao mesmo tempo. Apesar das controvérsias, Moraes manteve o apoio de muitos membros do STF, que viam a investigação como uma forma de proteger a corte diante de ameaças da extrema direita.

Nos últimos meses, no entanto, até mesmo aqueles que apoiaram a investigação começaram a discutir a necessidade de encerrá-la, destacando um cenário de crescente pressão sobre a condução do caso. O desfecho dessa investigação poderá ter repercussões significativas sobre a imagem do STF e a relação da corte com os poderes executivos e legislativos do país.

Fonte: Link original

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