O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), formalizou um pedido de empréstimo de R$ 4 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para ajudar o Banco de Brasília (BRB), que enfrenta perdas significativas devido à sua relação com o Banco Mestre. A solicitação foi feita nos últimos dias de sua administração, antes de sua renúncia para concorrer a uma vaga no Senado. A carta enviada ao FGC no dia 24 de outubro detalha a busca por reforços no capital do BRB, visando preservar sua liquidez diante da crise provocada pela aquisição de ativos problemáticos do Banco Mestre.
Para garantir o empréstimo, o governo ofereceu ações de estatais, como a Caesb e a CEB, além de imóveis públicos, como colateral para cobrir as perdas. Essa decisão levanta preocupações, uma vez que envolve o uso de patrimônio público para sanear uma crise financeira que fragilizou a instituição estatal. O pedido de empréstimo inclui um período de carência de um ano e meio, com pagamentos semestrais, e a remuneração atrelada ao CDI, com um spread a ser definido pelo FGC.
Contudo, algumas das garantias apresentadas já enfrentam questionamentos legais. Por exemplo, a área da Serrinha do Paranoá teve seu uso suspenso pela Justiça local, embora ainda caiba recurso. A utilização de imóveis e ações de empresas públicas como garantias tem gerado críticas de parlamentares e movimentos sociais, que veem essa medida como uma transferência do ônus da crise para o patrimônio do Distrito Federal.
A crise do BRB está diretamente ligada à sua exposição ao Banco Mestre, que foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro do ano anterior. Investigações revelaram que o BRB adquiriu R$ 12,2 bilhões em créditos irregulares da instituição privada, controlada por Daniel Vorcaro, que foi preso novamente pela Polícia Federal recentemente. Dados do sistema IF.data do Banco Central mostram que a carteira de crédito do BRB cresceu de R$ 37 bilhões para R$ 57 bilhões entre setembro de 2024 e setembro de 2025, com mais de 20% desse aumento vinculado a operações com o Banco Mestre.
As estimativas sobre o tamanho do rombo financeiro também aumentaram. Inicialmente, o mercado projetava uma necessidade de provisão de cerca de R$ 2,6 bilhões, mas a carta enviada ao FGC menciona um valor estimado em R$ 8,8 bilhões. Uma auditoria forense independente sugere que o impacto pode ser ainda maior, alcançando até R$ 13,3 bilhões, indicando operações com indícios de falta de lastro.
Em suma, o pedido de empréstimo e as garantias apresentadas refletem a gravidade da situação do Banco de Brasília e a complexidade dos problemas financeiros que o governo do Distrito Federal enfrenta. A medida de usar patrimônio público como colateral para um empréstimo em um contexto de crise acirra a pressão sobre a administração local, ao mesmo tempo que suscita críticas sobre a gestão fiscal e a responsabilidade em relação aos recursos públicos.
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