Nesta quarta-feira, 1º, a CPI do Crime Organizado no Senado dará continuidade aos seus trabalhos ao ouvir dois depoentes importantes. A partir das 9h, o presidente do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Ricardo Andrade Saadi, será convocado para discutir o papel do órgão no combate a organizações criminosas. O convite para sua participação foi feito pelos senadores Angelo Coronel (Republicanos-BA), Jorge Kajuru (PSB-GO) e Eduardo Girão (Novo-CE). O foco da audiência será a análise das atividades do Coaf em relação à detecção e monitoramento de transações financeiras suspeitas, identificação de empresas de fachada e redes de ‘laranjas’, além de explorar a relação entre tráfico de drogas, milícias e corrupção. Também será abordada a autonomia do Coaf e os recursos disponíveis para que possa desempenhar suas funções de forma eficaz. Saadi deverá discutir ainda como organizações criminosas utilizam a rede bancária, incluindo fintechs, para a lavagem de dinheiro.
No mesmo dia, outro depoente, Leonardo Augusto Furtado Palhares, administrador da Varajo Consultoria Empresarial Sociedade Unipessoal, também será ouvido. Palhares está sob monitoramento com tornozeleira eletrônica, uma medida imposta pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A Polícia Federal acusa Palhares de ter participado de contratos simulados que serviram para ocultar pagamentos ilícitos a servidores do Banco Central (BC), que estão sendo investigados na Operação Compliance Zero. O requerimento para sua convocação foi feito pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), que é o relator da CPI.
A investigação aponta que Palhares utilizou sua empresa para firmar contratos falsos de prestação de serviços, que na verdade disfarçavam pagamentos ilegais a funcionários do BC, entre eles Belline Santana, que chefiava a fiscalização bancária. A suspeita é de que esses servidores tenham recebido dinheiro para vazar informações sigilosas e auxiliar o Banco Master a evitar fiscalizações do BC. O senador Vieira afirmou que o dinheiro circulava por diversas empresas para dificultar seu rastreamento. Além disso, o mesmo esquema de ocultação financeira também teria sido utilizado para remunerar membros de um grupo conhecido como ‘Turma’, que está vinculado ao criminoso conhecido como Vorcaro.
Durante o depoimento, Vieira buscará esclarecer como se dava a movimentação financeira na Varajo Consultoria, qual foi o processo de coação dos servidores envolvidos e se a empresa teve participação em outros esquemas de lavagem de dinheiro. A expectativa é que essas audiências contribuam para um entendimento mais profundo sobre como as organizações criminosas operam e como o sistema financeiro pode ser utilizado para facilitar atividades ilícitas.
Essas investigações são parte dos esforços do Senado para combater o crime organizado no Brasil, e os depoimentos devem fornecer informações cruciais para o avanço dos trabalhos da CPI, além de potencialmente levar a novas descobertas sobre a relação entre corrupção e o sistema financeiro nacional.
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