A conferência “Resistências, Articulações e Alternativas Democráticas”, realizada em Porto Alegre como parte da 1ª Conferência Internacional Antifascista pela Soberania dos Povos, destacou a necessidade de respostas internacionais ao crescimento da extrema direita, ao fortalecimento da mobilização social e à luta contra o capital financeiro e as potências imperialistas. Mediado por Damian Hazar, o evento reuniu lideranças políticas e representantes de diversas organizações de países como Colômbia, França e Espanha. Durante o encontro, ficou evidente que o avanço do fascismo não é um fenômeno isolado, mas parte de uma reorganização global do capitalismo em crise, que combina autoritarismo e concentração de renda.
Fernanda Gadea, representante da Asociación por la Tributación de las Transacciones Financieras y la Acción Ciudadana, apresentou propostas concretas para enfrentar o poder do capital financeiro, como a fiscalidade progressiva e a reestatização de serviços públicos, enfatizando que a dívida impede investimentos sociais e aprofunda desigualdades. Gadea também criticou a noção de “transição ecológica” como solução para a crise climática, argumentando que esta pode esconder a continuidade de um modelo insustentável.
Donka Atanassova, da Colômbia, compartilhou a experiência de mobilização social que levou à vitória eleitoral da esquerda no país. Ela destacou a importância da luta coletiva e do Acordo de Paz de 2016, que possibilitou mudanças significativas, como a redistribuição de terras. Atanassova alertou, no entanto, que mesmo diante de avanços institucionais, o poder que enfrentam é vasto e organizado, exigindo uma continuidade na luta.
A eurodeputada Manon Aubry ressaltou o crescimento da extrema direita na Europa e a necessidade de unir movimentos sociais à ação política. Ela criticou setores da esquerda que não enfrentam a extrema direita e pediu que todos os representantes de esquerda utilizem seus mandatos como ferramentas de resistência. Aubry também destacou a solidariedade internacional, especialmente em relação à Palestina, como parte da luta antifascista.
Ana Maria Prestes analisou o papel dos Estados Unidos na reorganização do cenário internacional, afirmando que a América Latina está sob pressão imperialista. Ela defendeu a solidariedade internacional como uma necessidade concreta de sobrevivência, evocando a tradição antifascista no Brasil. Valter Pomar, da Fundação Perseu Abramo, enfatizou a importância da continuidade nas atividades antifascistas e a necessidade de um acúmulo político que considere a diversidade de vozes.
Roberto Robaina, vereador de Porto Alegre, destacou o caráter internacional do encontro e as recentes mobilizações contra a extrema direita. Raul Pont, ex-prefeito de Porto Alegre, apontou os desafios da desinformação e da repressão política como obstáculos à organização popular.
Liége Rocha, do Fórum Social Mundial, enfatizou o protagonismo das mulheres nas lutas sociais e a importância da articulação entre diferentes movimentos, sugerindo que a luta deve ser cotidiana e presente em diversos espaços. A conferência reafirmou que a resistência ao fascismo é uma responsabilidade coletiva e que, apesar dos desafios, é possível construir alternativas democráticas e solidárias em nível global.
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