Entre 27 de fevereiro e 31 de março de 2023, o aumento dos preços do diesel em refinarias privatizadas no Brasil, especialmente sob o governo Jair Bolsonaro, foi acentuado pela escalada da guerra no Irã e pela alta do petróleo nos mercados internacionais. Durante esse período, a Refinaria da Amazônia (Ream), localizada no Amazonas, elevou o preço do diesel para R$ 6,45, representando um aumento de 71% em relação ao preço anterior e 76% superior ao preço praticado pela Petrobras, que aumentou seu diesel para R$ 3,65, um reajuste de apenas 12%. A Refinaria de Mataripe, na Bahia, também apresentou um aumento significativo, passando a cobrar R$ 6,00, um aumento de 83% em comparação ao mês anterior e 64% a mais que a estatal.
Esses aumentos ocorreram em um contexto marcado por uma guerra iniciada em 28 de fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel atacaram o Irã, impactando drasticamente o mercado global de energia. O preço do barril de petróleo saltou de cerca de US$ 70 para mais de US$ 100, com picos próximos a US$ 120, devido a interrupções no Estreito de Ormuz e ataques a instalações energéticas. Em resposta à alta dos preços, o governo federal propôs um subsídio de R$ 1,20 por litro para o diesel importado, a ser aplicado até o final de maio, com a adesão de pelo menos 20 estados, incluindo Bahia e Amazonas.
O economista Eric Gil Dantas, do Instituto Brasileiro de Estudos Políticos e Sociais (Ibeps), argumenta que o aumento dos preços nas refinarias privatizadas não é apenas uma consequência da guerra, mas sim uma falha das políticas econômicas implementadas nos últimos anos. A privatização da Petrobras foi justificada com a promessa de que a entrada de novos players aumentaria a concorrência e reduziria os preços dos combustíveis. No entanto, Dantas aponta que, na prática, a privatização resultou na formação de monopólios privados. As refinarias, como Mataripe e Ream, passaram a seguir a política de Paridade de Preços de Importação (PPI), que vincula os preços internos às cotações internacionais, levando a aumentos significativos.
Enquanto a Petrobras conseguiu mitigar parte da volatilidade dos preços, as refinarias privatizadas elevaram seus preços de forma desproporcional. No caso do diesel S-10, a Ream e a Mataripe registraram aumentos de 71% e 83%, respectivamente, enquanto a Petrobras teve um aumento de apenas 12%. A gasolina também apresentou aumentos elevados nas refinarias privatizadas, enquanto a Petrobras manteve os preços estáveis.
A situação é particularmente crítica em estados como a Bahia, onde a refinaria Mataripe opera como um monopólio no fornecimento de diesel, não oferecendo alternativas aos consumidores. Similarmente, a Ream no Amazonas enfrentou críticas por seus elevados preços e pela dependência de importações, reduzindo sua capacidade de refino.
Dantas conclui que a crise atual apenas expôs distorções existentes, onde a privatização não aumentou a concorrência, mas sim concentrou o mercado em mãos privadas, permitindo que as empresas repassassem os custos internacionais para os consumidores de forma intensa. Assim, a estrutura do setor de refino no Brasil, em vez de promover preços mais baixos, resultou em um cenário de alta nos preços, exacerbando a vulnerabilidade dos consumidores a choques externos.
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