A crescente preocupação com as mudanças climáticas tem revelado impactos significativos na saúde pública, especialmente no que diz respeito a doenças respiratórias e pulmonares. A poluição, períodos de chuvas intensas, secas extremas e queimadas são consequências diretas dessas mudanças, que, segundo a Organização Meteorológica Mundial, resultaram nos últimos três anos sendo os mais quentes da história. Especialistas alertam que o Sistema Único de Saúde (SUS) não está preparado para lidar com o aumento da demanda por atendimento devido a esses eventos climáticos extremos.
As doenças crônicas mais afetadas incluem asma, Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) e câncer de pulmão. A poluição do ar, agravada pelo aquecimento global, é uma das principais causas para o aumento dessas condições. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que uma parcela significativa das mortes por DPOC e câncer de pulmão está associada à poluição. Em períodos de calor e seca, as queimadas se intensificam, liberando partículas finas que podem penetrar nos pulmões, aumentando o risco de câncer e complicações respiratórias. Além disso, o aumento do ozônio troposférico, formado por poluentes expostos à luz solar em dias quentes, também agrava as condições de saúde respiratória.
Estudos demonstram que a mortalidade por DPOC aumenta em 4% para cada grau Celsius de elevação da temperatura durante ondas de calor. Os centros urbanos enfrentam o fenômeno das ilhas de calor, onde o ar quente e poluído fica retido, enquanto populações em regiões semiáridas e áreas com frequentes queimadas também sofrem com a deterioração da qualidade do ar. As mudanças climáticas também prolongam as estações de pólen, aumentando reações alérgicas, e eventos de chuvas intensas podem propiciar o surgimento de fungos que causam infecções respiratórias.
Os grupos mais vulneráveis incluem crianças, idosos e trabalhadores em áreas expostas, como comunidades indígenas e ribeirinhas, que têm menor acesso a serviços de saúde e enfrentam dificuldades de transporte em períodos de seca. A falta de conhecimento por parte dos profissionais de saúde sobre a relação entre condições climáticas e doenças crônicas é um desafio, assim como a falta de integração entre os setores de saúde, meio ambiente e defesa civil. Poucas cidades possuem sistemas integrados de monitoramento e alerta, como o que foi implementado no Rio de Janeiro.
Embora o governo federal tenha lançado o plano Adapta SUS em 2025, visando a adaptação do setor de saúde às mudanças climáticas, ainda existem dificuldades na implementação de planos de adaptação em nível local. O Ministério da Saúde disponibilizou um guia sobre mudanças climáticas para profissionais, mas a necessidade de mais investimentos em pesquisas voltadas à adaptação, em vez de apenas mitigação, é evidente. A escassez de médicos especialistas também dificulta o diagnóstico e tratamento de doenças respiratórias. Apesar dos avanços, especialistas como Evangelina Araújo destacam que muito ainda precisa ser feito para preparar o sistema de saúde para enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas, especialmente em situações críticas como inundações e secas extremas.
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