Câmara Argentina Inicia Debates Cruciais Sobre Reforma Trabalhista Proposta por Milei nesta Quinta-feira

Câmara Argentina Inicia Debates Cruciais Sobre Reforma Trabalhista Proposta por Milei nesta Quinta-feira

Câmara dos Deputados da Argentina Debate Reforma Trabalhista em Meio a Greve Geral

A Argentina se encontra em um momento crítico, com a Câmara dos Deputados iniciando, nesta quinta-feira (19), a discussão sobre a reforma trabalhista proposta pelo governo de Javier Milei. Este debate ocorre em meio a uma greve geral convocada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT) e um clima de forte tensão social, após a aprovação da reforma pelo Senado na semana passada.

A sessão, marcada para as 14h (horário local), representa um dos principais desafios enfrentados pelo governo desde a posse de Milei, em dezembro de 2023. O pedido de convocação foi assinado por membros da base governista, incluindo o deputado Gabriel Bornoroni, líder do partido La Libertad Avanza (LLA). A expectativa do governo é que a proposta seja aprovada até 1º de março, quando se inicia o período de sessões ordinárias do Congresso. Se houver mudanças no texto, a proposta retornará ao Senado para nova votação; caso contrário, seguirá para promulgação.

Protestos e Medidas de Segurança

A aprovação da reforma no Senado, ocorrida em 12 de fevereiro, foi marcada por grande polarização, com 42 votos favoráveis e 30 contrários. No dia anterior à votação, milhares de manifestantes se concentraram nas imediações do Congresso em Buenos Aires, resultando em confrontos com a polícia e cerca de 30 detenções, conforme relatos de agências de notícias.

Para o dia da votação na Câmara, o Ministério da Segurança implementou medidas extraordinárias, incluindo a criação de uma “zona exclusiva” para a imprensa em ruas adjacentes ao Parlamento. Os jornalistas foram orientados a evitar áreas de possíveis confrontos, enquanto o governo alertou que as forças de segurança intervirão em caso de violência.

Impactos da Reforma Trabalhista

Considerada uma das reformas mais significativas na legislação trabalhista argentina desde a redemocratização, a proposta visa atualizar normas que, em sua maioria, remontam aos anos 1970. No entanto, críticos apontam para a fragilização dos direitos trabalhistas, incluindo a flexibilização das férias e a ampliação da jornada de trabalho de oito para até 12 horas diárias.

O governo defende que a reforma tem como objetivo flexibilizar regras rígidas, reduzir custos trabalhistas, aumentar a segurança jurídica e estimular a formalização de empregos. Desde a posse de Milei, aproximadamente 300 mil empregos formais foram eliminados, especialmente nos setores de construção civil, indústria e economias regionais. A administração acredita que a reforma pode reverter essa tendência.

Sindicais e representantes da indústria, por outro lado, argumentam que a crise no emprego é resultado da abertura às importações e da perda de competitividade do país.

Principais Alterações da Proposta

Entre as mudanças propostas estão:

  • Férias Flexíveis: Possibilidade de fracionamento em períodos mínimos de sete dias, negociáveis fora do período tradicional.
  • Jornada Ampliada: Aumento da carga de trabalho diária para até 12 horas, respeitando períodos mínimos de descanso.
  • Período de Experiência Prolongado: Ampliação para até seis meses, podendo chegar a oito ou 12 em casos específicos, com indenizações reduzidas.
  • Restrição de Greves em Setores Essenciais: Exigência de prestação mínima de 50% a 75%.
  • Negociação Coletiva Descentralizada: Acordos diretos entre empresas e sindicatos locais.
  • Mudanças em Demissões e Indenizações: Cálculo reduzido e possibilidade de pagamento parcelado.
  • Reconhecimento do Setor Digital: Trabalhadores de aplicativos reconhecidos como autônomos, com seguro próprio; teletrabalho perde obrigações extras estabelecidas durante a pandemia.
  • Combate à Informalidade: Eliminação de multas por falta de registro e proibição do uso de monotributistas em funções formais.

O governo negociou cerca de 30 alterações no texto para garantir sua aprovação no Senado, incluindo a remoção de artigos sobre pagamento em moeda estrangeira e mudanças no sistema de licenças médicas.

Cenário do Mercado de Trabalho

De acordo com a Pesquisa Permanente de Domicílios (EPH) do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec), no terceiro trimestre de 2025, a Argentina contava com 13,6 milhões de pessoas empregadas e aproximadamente 1 milhão de desempregados, resultando em uma taxa de desocupação de 6,6%. A informalidade, que inclui assalariados sem contribuição previdenciária e autônomos, representa 43% do mercado de trabalho. O setor de serviços concentra 70% das vagas, seguido pela indústria e construção (22%) e agropecuária (8%). Mais de um quarto dos trabalhadores cumpre jornadas superiores a 45 horas semanais.

Especialistas reconhecem a necessidade de modernização da legislação trabalhista, mas alertam para os possíveis impactos sociais e institucionais decorrentes das mudanças propostas.

Fonte: Link original

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