China planta 66 bilhões de árvores e se destaca na luta anti-desertificação

Vista da Fazenda Florestal Mecânica de Saihanba, localizada em Chengde, província de Hebei, China. No século passado, Saihanba era uma terra completamente desertificada. Com os esforços de três gerações, sua cobertura florestal aumentou de 11,4% para 82%, um feito conhecido como um "milagre verde" que transformou um terreno baldio em um oásis.

A China tem intensificado seus esforços para combater a desertificação, que já afeta cerca de 1,5 milhão de quilômetros quadrados, ou 27% de seu território, impactando diretamente a vida de aproximadamente 400 milhões de pessoas. Nos últimos anos, o país implementou políticas eficazes de controle da degradação do solo, transformando essa questão em uma prioridade de Estado. Um exemplo notável é o deserto de Tengger, o quarto maior da China, que cobre cerca de 44 mil quilômetros quadrados e ameaça áreas urbanas e agrícolas. Em uma ação recente em Zhongwei, na província de Ningxia, cerca de 2 mil pessoas participaram da instalação de quadrículas de palha, uma técnica tradicional que ajuda a estabilizar a areia e promover o crescimento de vegetação resistente. Essa ação foi complementada pelo uso de tecnologias como drones e sensores de solo, permitindo um planejamento e monitoramento mais eficazes.

Ao longo dos anos, Zhongwei conseguiu construir um cinturão verde de 153 quilômetros na borda do deserto, recuperando aproximadamente 146 mil hectares de terras degradadas. Para 2026, a meta é expandir esse projeto para mais 30 mil hectares, com o objetivo de fortalecer a proteção ambiental, reduzir a erosão, preservar o Rio Amarelo e garantir segurança hídrica e alimentar para milhões de pessoas. Esse esforço faz parte do Programa Três-Norte de Barreiras Verdes, lançado em 1978, que é considerado o maior projeto de reflorestamento do mundo, com mais de 66 bilhões de árvores plantadas em 13 províncias do norte e noroeste da China. Conhecido como a “Grande Muralha Verde”, o projeto visa aumentar a cobertura florestal de 12% para mais de 23% até 2050, utilizando espécies nativas resistentes à seca.

O programa traz múltiplos benefícios, como a fixação da areia, aumento da retenção de água no solo e a criação de corredores ecológicos. Além disso, contribui para a absorção de milhões de toneladas de CO₂ anualmente e a proteção de espécies nativas. A iniciativa também promove a biodiversidade e melhora a fertilidade do solo, facilitando a recuperação de áreas agrícolas e pastagens, ao mesmo tempo em que reduz a frequência de tempestades de areia e os efeitos de secas prolongadas.

O impacto social do programa é significativo, empregando e capacitando milhares de pessoas, além de envolver escolas e ONGs em atividades de plantio e monitoramento. Agricultores locais recebem treinamento em manejo sustentável do solo, gerando emprego e renda nas comunidades rurais. O uso de tecnologias avançadas como drones e modelos de inteligência artificial permite um monitoramento em tempo real, assegurando a eficiência e a sustentabilidade das ações.

No contexto global, a desertificação afeta cerca de 40% das terras do planeta. Desde que se tornou parte da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação em 1994, a China tem compartilhado sua experiência e tecnologia com países da África e da Ásia Central, fortalecendo a cooperação Sul-Sul. Seus projetos têm sido reconhecidos internacionalmente, demonstrando a eficácia da combinação entre mobilização social, conhecimento tradicional e tecnologia para enfrentar desafios ambientais. Essa abordagem integrada posiciona a China como líder mundial no combate à desertificação, promovendo desenvolvimento sustentável, segurança alimentar e preservação da biodiversidade, enquanto contribui para a mitigação das mudanças climáticas.

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