WhatsApp, Instagram e Facebook fora do ar: Rússia enfrenta apagões digitais e restrições severas
Em um cenário de crescente repressão digital, os serviços do WhatsApp, Instagram e Facebook enfrentam interrupções na Rússia, enquanto o Telegram, o aplicativo de mensagens mais popular do país, também está sob ameaça de bloqueio. A situação gera inquietação entre os cidadãos, que veem suas opções de comunicação sendo cada vez mais limitadas.
Desde a invasão da Ucrânia, o governo de Vladimir Putin intensificou o cerco ao uso da internet, aplicando restrições severas e promovendo uma política de isolamento digital. As interrupções nos serviços online tornaram-se frequentes em grandes cidades como Moscou e São Petersburgo, com sites considerados "não confiáveis" pelo regime sendo banidos e serviços básicos, como transporte e pagamentos, tornando-se inacessíveis repentinamente.
A busca por alternativas de comunicação se intensificou, levando à venda de dispositivos antigos, como walkie-talkies e pagers, além de mapas impressos. Na última semana, o Kremlin direcionou suas atenções para as VPNs, ferramentas utilizadas para contornar a censura digital. O ministro da Digitalização, Maksut Shadayev, afirmou que o objetivo é "reduzir o uso" dessas tecnologias, visando restringir o acesso a plataformas estrangeiras.
De acordo com informações recentes, a Rússia já bloqueou mais de 400 serviços de VPN, um aumento significativo em relação ao ano anterior. Apesar disso, novas opções continuam a surgir, mas a Apple retirou da App Store as VPNs que facilitavam o acesso a sites censurados. Especialistas indicam que apagões de internet móvel podem se tornar normais em Moscou, à medida que as autoridades desenvolvem tecnologias para implementar bloqueios em larga escala.
O Telegram, criado pelo russo Pavel Durov, é considerado o último bastião da comunicação livre na Rússia. A possibilidade de um bloqueio total do aplicativo pode se concretizar em breve, já que o governo tenta impor tarifas adicionais para o tráfego de dados internacionais. Desde a invasão da Ucrânia, o Kremlin implementou as leis mais restritivas desde a era soviética, aumentando a censura e a influência do Serviço Federal de Segurança (FSB).
A insatisfação popular com as restrições à internet está crescendo, com vozes críticas emergindo até mesmo entre aliados do governo. O governador de Belgorod, região fronteiriça com a Ucrânia, expressou preocupação de que as interrupções estavam resultando em "mortes desnecessárias". Além disso, vídeos de soldados russos no front demonstram como o Telegram é vital para suas operações, pedindo ao Kremlin para reconsiderar suas decisões.
Recentemente, o Parlamento russo, raramente crítico da administração, votou sobre a necessidade de justificativas para o bloqueio do Telegram, embora a proposta tenha sido rejeitada. Contudo, o número de votos a favor da medida revela um desconforto crescente em relação às políticas do governo. Enquanto isso, manifestações contra as restrições continuam, com pelo menos 12 pessoas detidas no último domingo em um protesto em Moscou em defesa da liberdade de expressão.
A situação atual representa um retrocesso significativo para a liberdade digital na Rússia, com o povo enfrentando um futuro incerto em um ambiente de crescente repressão.
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