A exposição “A Terceira Margem da Cidade”, atualmente em cartaz no Museu Brasileiro de Escultura e Ecologia (MUBE), oferece uma reflexão sobre o legado do renomado arquiteto Paulo Mendes da Rocha, falecido em 2021, e os desafios contemporâneos da sustentabilidade urbana. Com curadoria de Guilherme Wisnik e Fernando Tullo Franco, a mostra celebra os 30 anos do MUBE, inaugurado em 1995, ao mesmo tempo que dialoga com as discussões realizadas na COP30 sobre questões climáticas e urbanas.
A exposição é estruturada em núcleos temáticos que se inspiram nas ideias de Mendes da Rocha, explorando a relação entre a cidade, o meio ambiente e os modos de vida. Um dos principais eixos da mostra é a reciclagem urbana, que defende a requalificação de edifícios existentes em vez da construção de novas estruturas. Projetos emblemáticos, como a Pinacoteca e o Sesc 24 de Maio, são apresentados como exemplos de como a arquitetura pode se adaptar e revitalizar o espaço urbano, promovendo uma abordagem mais sustentável.
Outro tema central da exposição é a crítica ao modelo rodoviarista, que enfatiza a dependência do automóvel e seus impactos ambientais. A mostra propõe alternativas sustentáveis, como o resgate do transporte fluvial, especialmente relevante no Brasil e na América do Sul, onde a abundância de rios pode ser aproveitada para uma mobilidade urbana mais eficiente e ecológica.
Além disso, a exposição incorpora referências contemporâneas, como o conceito de “cidades de 15 minutos”, que prioriza o acesso a serviços essenciais a pé ou por meios de transporte sustentáveis, em distâncias curtas. Essa ideia reflete uma visão de urbanismo que busca promover a qualidade de vida e a sustentabilidade através do planejamento urbano inteligente.
O título da exposição, inspirado no conto “A Terceira Margem do Rio” de Guimarães Rosa, sugere a existência de possibilidades urbanas ainda pouco exploradas, incentivando uma nova forma de pensar a cidade. A proposta é estimular reflexões sobre as estruturas urbanas e promover ações locais que contribuam para a criação de modelos de vida urbana mais equilibrados e sustentáveis.
A exposição não apenas homenageia o trabalho de Paulo Mendes da Rocha, mas também provoca uma discussão essencial sobre como as cidades podem evoluir para enfrentar os desafios ambientais atuais. O legado do arquiteto é apresentado como uma fonte de inspiração para arquitetos, urbanistas, artistas e cidadãos que buscam soluções inovadoras e sustentáveis para os problemas urbanos contemporâneos.
Em suma, “A Terceira Margem da Cidade” é uma mostra que transcende a simples celebração do passado, propondo um olhar crítico e propositivo sobre o futuro das cidades, estimulando a reflexão e a ação em prol de um urbanismo mais responsável e sustentável. A exposição destaca a necessidade urgente de repensar a relação entre urbanização e meio ambiente, promovendo uma visão integrada e holística do espaço urbano.
Fonte: Link original





































