Alastair Crooke: O Irã e a tecnologia que surpreendeu o Ocidente

Alastair Crooke em participação no Clube Valdai

Alastair Crooke é um proeminente analista das relações entre o Ocidente e o mundo islâmico, com uma carreira que inclui cargos como diplomata britânico e agente do MI6. Ele teve um papel significativo em mediações de conflitos na Irlanda do Norte, na África do Sul e, especialmente, na Ásia Ocidental. Como conselheiro de Javier Solana na União Europeia, Crooke promoveu diálogos com grupos como Hamas e Hezbollah, enfatizando que a paz duradoura requer o reconhecimento de atores com legitimidade popular, mesmo que rotulados negativamente pelo Ocidente.

Crooke é também o fundador do Conflicts Forum e autor do livro “Resistance: The Essence of the Islamist Revolution”, onde argumenta que a revolução islâmica representa uma rejeição do materialismo ocidental, buscando uma identidade espiritual. Em uma entrevista ao Brasil de Fato, Crooke analisa a guerra entre os EUA e Israel contra o Irã, discutindo a evolução da revolução islâmica, suas conquistas e desafios. Ele descreve a estratégia militar iraniana e a situação interna de Israel, além de refletir sobre a possível participação da China e Rússia na formação de uma aliança anti-imperialista.

Segundo Crooke, o Irã aprendeu lições valiosas com a invasão do Iraque pelos EUA em 2003, o que moldou sua estratégia de resistência. Em vez de tentar criar uma força aérea para competir com Israel e os EUA, o Irã desenvolveu uma capacidade de mísseis que funciona como sua “força aérea”. Para proteger suas estruturas militares da vigilância e ataques aéreos, o Irã enterrou suas instalações militares em locais seguros e desenvolveu um “mosaico de resistência”, decentralizando o comando militar para evitar a desorganização em caso de ataques diretos a líderes.

A eficácia da estratégia iraniana é ilustrada por sua capacidade de controlar o Estreito de Ormuz e causar danos significativos às forças israelenses, mesmo após sofrer ataques devastadores. Crooke destaca que a guerra assimétrica planejada pelo Irã contrasta com a abordagem tradicional do Ocidente, que se baseia em bombardeios massivos e táticas convencionais. Ele argumenta que a guerra atual é uma continuação dessa estratégia de resistência, com o Irã utilizando mísseis de maneira cautelosa e planejando uma resposta a longo prazo.

A situação em Israel, segundo Crooke, é crítica, com líderes militares expressando preocupação sobre a capacidade do país de sustentar uma guerra em várias frentes. A reação do Hezbollah e de grupos no Iraque indica uma escalada no conflito, com potenciais implicações regionais mais amplas. O impacto da revolução islâmica e a atual dinâmica de poder sugerem que o Irã está se posicionando de forma mais autônoma e estratégica, apoiado por um crescente interesse de potências como China e Rússia.

Crooke sugere que essa colaboração pode sinalizar uma nova era nas estratégias militares, onde a guerra assimétrica e a descentralização do comando se tornam fundamentais. Ele observa que o Irã não apenas adaptou suas táticas, mas também incorporou tecnologias modernas, desafiando as expectativas ocidentais sobre sua capacidade militar. As lições aprendidas com conflitos anteriores, como o do Iraque, moldaram uma abordagem que pode redefinir a geopolítica da região e a relação do Ocidente com o mundo islâmico.

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