Aumento do Diesel: Privatização na Bahia e Reajuste da Petrobras

Fechamento do Estreito de Ormuz impacta mercado de petróleo em todo o mundo

A guerra no Irã e a instabilidade no Estreito de Ormuz têm gerado um aumento significativo nos preços internacionais do petróleo, impactando diretamente o mercado de combustíveis no Brasil. As refinarias privatizadas durante a gestão de Jair Bolsonaro (PL) estão adotando preços atrelados à cotação internacional, o que tem levado a um aumento desproporcional nos custos do diesel e da gasolina em comparação com os preços praticados pela Petrobras.

Um levantamento do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep) revela que, entre 27 de fevereiro e 31 de março, as refinarias privadas aumentaram os preços do diesel em percentuais muito superiores aos da Petrobras. Na Refinaria de Mataripe, na Bahia, o preço do diesel saltou de R$ 3,28 para R$ 6,15 por litro, uma alta de 87%. A Ream, no Amazonas, viu o diesel subir de R$ 3,78 para R$ 5,10 (alta de 35%), enquanto a refinaria Clara Camarão, no Rio Grande do Norte, registrou um aumento de 74%, passando de R$ 3,33 para R$ 5,78. Em contraste, a Petrobras reajustou o diesel de R$ 3,27 para R$ 3,65, uma elevação de apenas 12%. Atualmente, o diesel em Mataripe está 68% acima do preço da Petrobras, e na Ream a diferença chega a 81%.

A gasolina também seguiu essa tendência de alta. Em Mataripe, o preço subiu de R$ 2,54 para R$ 4,09 (61%), enquanto a Ream aumentou de R$ 2,90 para R$ 3,48 (20%). A Petrobras manteve seu preço em R$ 2,57. Esses dados indicam que as refinarias privadas estão repassando as altas internacionais de forma mais rápida, o que já está refletindo na inflação. Em março, o diesel teve uma alta de 13,9% no IPCA, a maior desde novembro de 2002, e a gasolina subiu 4,59%. Como o diesel é essencial para o transporte de cargas, esse aumento levanta preocupações sobre novos repasses de custos para alimentos e outros produtos.

A situação é particularmente crítica na Bahia, onde Salvador registrou a maior inflação do país para gasolina, diesel e etanol em março. Com a Refinaria de Mataripe privatizada em 2021, a questão voltou a ser debatida, especialmente após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mencionar a possibilidade de recomprar a unidade para a Petrobras.

Em resposta à disparada dos preços do diesel, o governo federal anunciou uma medida provisória que institui o Regime Emergencial de Abastecimento Interno de Combustíveis. Esta iniciativa prevê uma subvenção de R$ 1,20 por litro de diesel rodoviário importado, com custos compartilhados entre União e estados, para tentar mitigar o repasse dos efeitos da guerra no Oriente Médio para a economia brasileira. O pacote tem um limite total de R$ 4 bilhões e visa garantir o fluxo de importações e reduzir a pressão sobre o setor produtivo.

Entretanto, a redução dos preços internacionais do petróleo continua incerta. Após um período de expectativa de queda, novas restrições impostas pelo Irã no Estreito de Ormuz, onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo, levaram a uma queda drástica no tráfego de navios e a uma recuperação dos preços do barril para cerca de US$ 100. Isso reforça a diferença no mercado brasileiro, onde, enquanto a Petrobras ainda consegue amortecer parte dos choques, as refinarias privadas repassam as altas com maior velocidade, exacerbando a pressão sobre fretes, alimentos e a inflação.

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