Recentemente, dados da Receita Federal revelaram que o Banco Master, sob o controle de Daniel Vorcaro, fez pagamentos significativos a diversos escritórios de advocacia e empresas ligadas a figuras políticas proeminentes. As informações foram divulgadas pelo jornal Folha de S.Paulo, que obteve documentos enviados pelo Fisco à CPI do Crime Organizado. A lista de beneficiários abrange uma variedade de líderes políticos, incluindo ex-presidentes, ministros e senadores, refletindo um amplo espectro político.
Um dos casos mais notáveis envolve o ex-presidente Michel Temer, que recebeu R$ 7,5 milhões por serviços de mediação, embora o banco tenha declarado um montante total de R$ 10 milhões. Outros ex-ministros, como Henrique Meirelles, receberam R$ 18,5 milhões, confirmando a prestação de consultoria macroeconômica, mas ressaltando a rescisão do contrato devido à baixa demanda. Guido Mantega, por sua vez, recebeu R$ 14 milhões, mas não pôde ser contatado para comentar sobre os pagamentos.
Antonio Rueda, do União Brasil, recebeu R$ 6,4 milhões através de dois escritórios e questionou a legalidade do vazamento das informações, defendendo a natureza técnica dos serviços prestados. ACM Neto, também do União, recebeu R$ 5,45 milhões entre 2023 e 2025, mas sua empresa não validou os valores exatos citados. O senador Jacques Wagner, do PT, teve um pagamento de R$ 289 mil registrado como pessoa física, mas negou receber valores diretos do banco, alegando que se tratava de rendimentos de aplicações financeiras. No entanto, o banco também fez um pagamento significativo de R$ 12 milhões à BN Financeira, da nora de Wagner, com a empresa afirmando que os serviços prestados foram regulares e devidamente contabilizados.
Além dos já mencionados, o ex-ministro da Comunicação de Jair Bolsonaro, Fabio Wajngarten, recebeu R$ 3,8 milhões, destacando que foi contratado para atuar na defesa de Vorcaro em 2025, com um contrato que contém cláusulas de confidencialidade.
Os documentos também indicam que empresas ligadas ao apresentador Ratinho, pai do governador do Paraná, Ratinho Junior, receberam aproximadamente R$ 24 milhões entre 2022 e 2025. A Massa Intermediação, de Carlos Roberto Massa (Ratinho), recebeu R$ 21 milhões, enquanto a Gralha Azul Empreendimentos e Participações recebeu R$ 3 milhões. O Grupo Massa, ao ser questionado, afirmou que o governador Ratinho Junior não faz parte do quadro societário dessas empresas.
Por fim, a defesa de Daniel Vorcaro, que já foi preso em operações relacionadas, não comentou sobre os pagamentos. Vorcaro está em processo de colaboração com a Justiça e tem recebido visitas de advogados para discutir os termos de uma possível delação premiada. A situação envolvendo o Banco Master e seus pagamentos a figuras políticas levanta questões sérias sobre a influência do dinheiro no cenário político e as implicações éticas e legais desses relacionamentos.
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