Em fevereiro de 2026, um levantamento realizado pelo Poder360 revelou que nove estados brasileiros possuem um número maior de famílias recebendo o Bolsa Família do que trabalhadores com carteira assinada. Todos esses estados estão situados nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. Os dados foram obtidos a partir de informações do Ministério do Desenvolvimento Social e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Em anos anteriores, como em fevereiro de 2023 e 2024, o número de estados nessa situação era ainda maior, com 13 estados, enquanto em fevereiro de 2025, o número era de 12.
O estado que lidera essa lista de dependência do Bolsa Família é o Maranhão, com uma diferença alarmante de 460.043 beneficiários a mais em relação ao número de postos de trabalho formais. Outros estados que também apresentam uma alta dependência do programa de transferência de renda incluem o Pará, com 232.117 beneficiários a mais; o Piauí, com 163.337; e a Bahia, com 85.914. A Paraíba, Amazonas, Alagoas, Acre e Amapá também figuram na lista, mostrando a gravidade da situação em várias partes do país.
Em contrapartida, o estado de São Paulo se destaca negativamente, apresentando um superávit significativo de empregos formais, com 12,5 milhões de trabalhadores com carteira assinada a mais do que beneficiários do Bolsa Família. A proporção de dependência do programa na economia do trabalho está em 38,6 beneficiários para cada 100 trabalhadores formais, uma taxa que se manteve estável desde agosto de 2025, após ter atingido um pico de 49,6 no início de 2023.
Essa redução na dependência do Bolsa Família ao longo de 2025 pode ser atribuída a dois fatores principais: o crescimento do emprego formal e o “pente-fino” realizado pelo governo federal, que resultou na exclusão de 2,1 milhões de famílias do programa. Apesar da dependência mais evidente em certos estados, o emprego formal avançou em um ritmo superior ao do benefício em todas as unidades da Federação no último ano.
Atualmente, o Brasil conta com aproximadamente 48,8 milhões de trabalhadores com emprego formal e 18,8 milhões de famílias atendidas pelo Bolsa Família. Em termos de proporção, o Maranhão apresenta 1,66 beneficiários para cada carteira assinada, enquanto Santa Catarina demonstra uma situação oposta, com 13 empregos formais para cada família beneficiada.
A discrepância na dependência do Bolsa Família não se limita apenas aos estados, pois a pesquisa revelou que a desigualdade persiste em nível municipal, com 2.639 cidades brasileiras ainda registrando mais beneficiários do programa do que empregos formais. Essa realidade evidencia a necessidade de políticas públicas mais eficazes para promover a geração de empregos e reduzir a dependência de programas assistenciais nas regiões mais vulneráveis do país. A situação atual coloca em foco a urgência de um desenvolvimento econômico equilibrado e sustentável, que possa oferecer oportunidades de emprego e melhorar a qualidade de vida da população.
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