Nas últimas décadas, o imperialismo, especialmente representado pelos Estados Unidos e seus aliados, consolidou sua superioridade tecnológica, especialmente no campo da Tecnologia da Informação (TI). Esse avanço não se limitou a um desejo de progresso científico, mas tornou-se um elemento chave para a manutenção do controle global, transformando países em vulneráveis reféns tecnológicos. O Ocidente, ao promover uma narrativa de liberdade em torno da internet, atacou nações que resistiram à sua influência digital, dificultando discussões sobre redes mais controladas, como as da China e da Rússia, que frequentemente eram reduzidas a um debate simplista sobre a “liberdade da internet”.
Contudo, a percepção sobre a internet e a soberania digital está mudando, com um crescente reconhecimento de que a internet não deve ser uma “terra sem lei”. No Brasil, apesar de pressões contrárias, a regulamentação das plataformas digitais vem ganhando aceitação popular, refletida no apoio ao “ECA Digital” e outras iniciativas regulatórias. O governo de Donald Trump, por exemplo, criticou o sistema de pagamentos brasileiro, o Pix, e a tentativa de regulamentação das big techs, evidenciando a preocupação com a soberania tecnológica.
Embora o Brasil esteja avançando nas discussões sobre legislação e produção intelectual, ainda enfrenta grandes desafios em relação à produção física de tecnologia. O país se encontra em um estágio inicial de debate sobre o que pode ser desenvolvido internamente, enquanto a capacidade de produção de hardware permanece limitada. Essa situação é exemplificada pela piada da área de tecnologia que ilustra a diferença entre software (o que se critica) e hardware (o que se chuta), sinalizando que, embora se discuta o que pode ser melhorado, a infraestrutura física ainda está distante de um patamar desejável.
A comparação com a China é pertinente. Quando os Estados Unidos impuseram sanções ao país asiático, visando barrar seu avanço tecnológico, empresas como a NVIDIA, que dominava o mercado chinês com 95% de participação, foram utilizadas como ferramentas de controle. As sanções, que buscavam limitar o desenvolvimento tecnológico chinês, acabaram por estimular a emergência de empresas locais que rapidamente ocuparam o espaço deixado pela NVIDIA, reduzindo sua presença no mercado chinês para 40% em poucos anos.
Caso o Brasil enfrentasse um cenário similar de sanções, o impacto poderia ser devastador, levando o país a um retrocesso tecnológico significativo. Um exemplo disso ocorreu com a Fiocruz, que enfrentou uma drástica redução em seu armazenamento em nuvem devido a uma decisão unilateral da Microsoft, resultando em atrasos em pesquisas críticas. Para garantir uma verdadeira soberania tecnológica, o Brasil precisa priorizar o desenvolvimento de hardware, formar profissionais qualificados em engenharia da computação, e criar serviços nacionais de armazenamento e nuvem. Essas iniciativas, embora exigentes e demoradas, são essenciais para proteger o país de pressões externas e assegurar uma autonomia tecnológica. A China, ao priorizar essas questões desde os anos 90, conseguiu se preparar para situações adversas, enquanto o Brasil ainda está distante de um plano estratégico similar.
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