Na quinta-feira, 9 de novembro, o embaixador de Cuba, Victor Cairo, ressaltou a importância do Brasil como uma potencial liderança em uma iniciativa global em defesa de Cuba, que enfrenta um severo bloqueio e agressões por parte dos Estados Unidos. Durante um encontro com jornalistas da mídia progressista, Cairo enfatizou que a luta contra o bloqueio não é apenas uma questão ideológica, mas uma questão de autodeterminação e resistência ao colonialismo. Ele pediu solidariedade política e material real, não apenas palavras vazias, e instou os brasileiros a se mobilizarem em apoio a Cuba, sugerindo o envio de cartas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para pressionar por ações concretas.
Cairo destacou a grave situação de abastecimento de combustível em Cuba, revelando que o país produz apenas 30% do combustível que precisa para gerar energia, e que nos últimos quatro meses, apenas um navio com combustível chegou à ilha. Essa escassez tem levado a blecautes severos, com até 16 horas de falta de energia na capital, o que tem um impacto devastador sobre a saúde e a educação, sendo considerado por Cairo como uma violação de direitos humanos e até uma forma de genocídio.
O embaixador expressou desconfiança em relação a uma possível negociação com os Estados Unidos, uma vez que a história mostra que o país frequentemente ataca nações com as quais afirma dialogar. O objetivo, segundo Cairo, parece ser minar a resistência do povo cubano e, se necessário, atacar militarmente. Ele destacou que a situação atual exige uma resposta internacional que quebre o bloqueio do envio de combustível a Cuba, considerando isso uma solução efetiva.
Cairo também reconheceu o apoio que Cuba tem recebido do governo brasileiro, que já enviou milhares de medicamentos e está finalizando a documentação para enviar alimentos. Movimentos populares, como o MST, também têm contribuído com doações de medicamentos, com duas toneladas já enviadas e outra remessa de 1,7 tonelada em preparação. No entanto, o embaixador reiterou que a solução primária para os problemas de Cuba é o acesso ao petróleo, pois, com combustível, o país poderia produzir seus próprios alimentos.
Igor Felippe, da coordenação nacional do MST, acrescentou que o Brasil poderia fazer mais em relação ao bloqueio, sugerindo que o governo encontrasse brechas para permitir o comércio entre empresas privadas. Ele argumentou que, por meio de investimentos privados, seria possível enviar combustível e medicamentos, destacando a necessidade de pressão contínua ao governo brasileiro para efetivar a solidariedade a Cuba.
Em resumo, o embaixador Victor Cairo apelou por uma mobilização internacional em defesa de Cuba, destacando a necessidade urgente de apoio material, especialmente em relação ao abastecimento de combustível, e reforçando que a luta do país é uma questão de autodeterminação e resistência ao colonialismo. A colaboração entre Brasil e Cuba, tanto em níveis governamentais quanto populares, é vista como fundamental para enfrentar os desafios impostos pelo bloqueio.
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