A Câmara dos Deputados aprovou em primeiro turno, no dia 8 de novembro, uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que estabelece a obrigatoriedade de investimento em assistência social por parte da União, estados, municípios e o Distrito Federal, com um mínimo de 1% da arrecadação prevista no Sistema Único de Assistência Social (Suas). A votação foi expressiva, com 464 votos favoráveis e apenas 16 contrários, sendo que os partidos Novo e Missão se posicionaram contra a proposta, enquanto a oposição teve a liberdade de voto.
Entre os deputados que se destacaram na votação, alguns, como Fabio Schinochet (União-SC) e Pedro Paulo (PSD-RJ), decidiram contrariar a orientação de suas legendas e votaram contra a PEC. A proposta gerou divisões, com parlamentares como Bia Kicis (DF), Júlia Zanatta (SC) e Gustavo Gayer (GO) se posicionando contra, enquanto outros, como Hélio Lopes (RJ), Nikolas Ferreira (MG) e Filipe Barros (PR), apoiaram a iniciativa. A proposta ainda precisa ser aprovada em segundo turno, e o deputado José Guimarães (PT-CE) sugeriu que a votação ocorra na próxima quarta-feira, dia 16, para garantir tempo suficiente para ajustar o espaço fiscal necessário à implementação da nova regra.
A PEC estabelece que a obrigatoriedade do investimento em assistência social será gradual, com percentuais que aumentam ao longo de quatro anos: 0,3% no primeiro ano, 0,5% no segundo, 0,75% no terceiro e 1% no quarto e último ano. Essa transição pode resultar em um impacto significativo no orçamento da União, estimado em R$ 36 bilhões ao final do processo. O relator da proposta, Danilo Cabral (PSB-PE), destacou que atualmente os governos têm a possibilidade de cortar todos os investimentos em assistência social, o que compromete a manutenção de concursos, conselhos e secretarias criadas nos últimos anos.
No entanto, a proposta também gerou críticas. Kim Kataguiri (Missão-SP) argumentou que a inclusão de uma porcentagem fixa na Constituição pode limitar a governabilidade, sugerindo que, se o Parlamento estabelecer obrigatoriedades de gastos, a necessidade de cargos executivos como presidente, governadores e prefeitos seria questionável. A discussão em torno da PEC reflete um debate mais amplo sobre a gestão de recursos públicos e a necessidade de assegurar investimentos em áreas essenciais.
Atualmente, o governo federal é obrigado a destinar pelo menos 18% da receita para a educação e 15% para a saúde, e com a nova proposta, a assistência social passaria a ser tratada com igual importância. Essa mudança pode alterar significativamente a dinâmica de alocação de recursos entre as diversas áreas, atraindo o interesse dos partidos políticos, uma vez que esses setores são fundamentais para a construção de políticas públicas e o atendimento às necessidades da população.
Em resumo, a aprovação da PEC marca um passo importante para a institucionalização de investimentos em assistência social, com potencial para fortalecer o Suas e garantir a continuidade de serviços essenciais, embora também suscite preocupações sobre a governabilidade e a flexibilidade orçamentária dos gestores públicos.
Fonte: Link original
































