CPMI do INSS Amplia Investigação e Foca em Figuras Políticas de Destaque
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS avançou em suas investigações sobre fraudes bilionárias, agora direcionando o olhar para o cenário político e institucional. Os novos requerimentos protocolados em 23 de fevereiro de 2026 incluem investigações sobre o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e quatro governadores: Tarcísio de Freitas (SP), Ibaneis Rocha (DF), Cláudio Castro (RJ) e Romeu Zema (MG).
O requerimento relacionado a Roberto Campos Neto, apresentado pelo deputado Rogério Correia (PT-MG), solicita informações detalhadas sobre Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) do Coaf e requer a quebra de sigilo bancário e fiscal do ex-chefe da autoridade monetária entre 1º de janeiro de 2019 e 23 de fevereiro de 2026. A justificativa aponta que, durante sua gestão, diversos alertas técnicos sobre o Banco Master teriam sido emitidos, evidenciando riscos e inconsistências nas operações da instituição.
A CPMI busca investigar se houve falhas de supervisão ou omissões em relação a alertas sobre irregularidades que poderiam ter impactado aposentados e pensionistas.
Governadores Sob Investigação
A investigação também se volta para os governadores. No caso de Tarcísio de Freitas, dois requerimentos foram apresentados. Um deles solicita sua convocação para esclarecer possíveis relações com dirigentes ou financiadores do Banco Master. O outro requer a quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico do governador, incluindo detalhes sobre ligações recebidas e feitas. Tarcísio é mencionado como tendo recebido R$ 2 milhões em doações para sua campanha de 2022, proveniente de Fabiano Zettel, cunhado do proprietário do Banco Master.
No Distrito Federal, o governador Ibaneis Rocha também é alvo da CPMI. O requerimento pede a quebra de sigilo bancário e fiscal, citando seu nome em investigações da Polícia Federal relacionadas à possível aquisição do Banco Master pelo Banco Regional de Brasília (BRB). O BRB teria investido mais de R$ 16 bilhões no Banco Master entre 2024 e 2025, com parte dos recursos utilizada para comprar créditos sem lastro.
No Rio de Janeiro, Cláudio Castro está sob a mira da CPMI devido a investimentos do Rioprevidência, que aplicou R$ 970 milhões em papéis do Banco Master. Uma auditoria do Tribunal de Contas do Estado identificou irregularidades que levantam preocupações sobre a segurança dos investimentos.
Por fim, Romeu Zema, governador de Minas Gerais, é investigado em relação a sua empresa Zema Crédito, Financiamento e Investimento S/A, que atua no mercado de crédito consignado. O requerimento busca analisar a evolução patrimonial do governador e verificar a compatibilidade entre seus rendimentos declarados e os fatos apurados.
Próximos Passos
Com esses novos requerimentos, a CPMI expande significativamente o escopo de suas investigações, ligando fraudes operacionais no INSS a possíveis conexões entre o Banco Master, operações de crédito consignado e figuras políticas de alto escalão. A decisão sobre a aprovação das quebras de sigilo e convocações deverá definir a intensidade do embate institucional nas próximas semanas.
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