Cinemas de SP destacam a luta das trabalhadoras da USP

Quatro pessoas, de uniforme azul e luvas verdes, limpam o chão com rodos e panos.

A exposição “Rosto de Mulher”, que será inaugurada no dia 8 de abril na Casa Marx, em São Paulo, é uma instalação cinematográfica composta por seis telas que homenageia as lutas das trabalhadoras terceirizadas da limpeza da Universidade de São Paulo (USP) durante as greves de 2005 e 2011. O projeto, dirigido por Rafael Barros e Pedro Calderan, busca resgatar a memória e a força dessas mulheres, utilizando uma abordagem que mistura videoarte e documentário experimental.

A instalação oferece uma experiência imersiva, permitindo que o público interaja com o espaço e as narrativas, refletindo sobre a realidade da terceirização e suas consequências desproporcionais, especialmente para mulheres, em particular as negras. A obra é inspirada no livro “A precarização tem rosto de mulher”, de Diana Assunção, que também é uma ex-dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp) e figura central na luta por direitos trabalhistas.

Diana destaca que a instalação não é apenas um filme, mas uma experiência que transporta os espectadores para o ambiente das greves, desafiando a passividade e incentivando a exploração do espaço expositivo. A configuração das telas e a estrutura da obra refletem a fragmentação e a precarização enfrentadas pelas trabalhadoras, promovendo uma crítica ao sistema de terceirização que as discrimina. As greves de 2005 e 2011 foram marcos significativos na luta contra a subcontratação, surgindo em resposta a abusos como salários atrasados e condições de trabalho desumanas.

A primeira greve, em 2005, foi desencadeada por denúncias de desrespeito e abusos por parte de superiores, levando as trabalhadoras a devolverem o lixo que haviam coletado, evidenciando sua importância para a manutenção da universidade. Seis anos depois, uma nova paralisação ocorreu, buscando a efetivação das funcionárias sem a necessidade de concurso, mas não alcançou todos os seus objetivos.

A exposição também destaca a continuidade das lutas, com a crítica ao acesso restrito das terceirizadas a benefícios como o transporte gratuito e o Restaurante Universitário. Diana classifica a situação atual como um “apartheid social”, ressaltando a persistência das desigualdades e a invisibilidade que as trabalhadoras enfrentam mesmo em um ambiente acadêmico.

Os diretores, Barros e Calderan, inicialmente desenvolveram o projeto como um Trabalho de Conclusão de Curso, mas o formato evoluiu para uma obra mais experimental ao longo do processo. A escolha de uma estrutura fragmentada reflete a própria natureza da terceirização e a divisão entre trabalhadores efetivos e terceirizados, além de uma crítica à desigualdade racial.

Os recursos audiovisuais desempenham um papel central na narrativa, com a voz das trabalhadoras sendo uma constante, o que contribui para um ambiente rico e envolvente. A estética da obra foi concebida para reverenciar a resistência das mulheres em suas lutas, oferecendo uma perspectiva que transcende o cinema tradicional e honra a luta por direitos e dignidade no trabalho.

A visitação à instalação será gratuita até o dia 23 de abril, proporcionando uma oportunidade para que o público reflita sobre a luta das trabalhadoras terceirizadas e as questões sociais que permeiam suas experiências.

Fonte: Link original

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