Comunidades de Itarantim interrompem mineração na zona rural

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Na manhã de terça-feira, 7 de novembro, moradores das comunidades de Córgão e Palmeiras, localizadas na zona rural de Itarantim, no sudoeste da Bahia, organizaram uma paralisação contra a Cacto Consultoria, uma empresa de pesquisa mineral. A mobilização foi motivada pelo alegado descumprimento da Lei de Iniciativa Popular, aprovada em 2025 após intenso processo de mobilização comunitária, que protege áreas ambientais sensíveis, como serras e nascentes, do município. Os manifestantes acusam a empresa de desrespeitar essa legislação e de realizar pesquisas em áreas protegidas, utilizando maquinários pesados que alteraram cursos hídricos.

Uma das lideranças locais, que preferiu não se identificar por questões de segurança, destacou que o objetivo da mobilização era impedir o acesso da empresa à área de pesquisa e exigir um debate público sobre os impactos da mineração na região. O agricultor enfatizou a defesa das terras locais e da soberania da comunidade, afirmando que a liberação do acesso só ocorreria após a realização de uma audiência pública. A Cacto Consultoria, por sua vez, afirmou ter autorização da Agência Nacional de Mineração (ANM) para suas atividades, negando qualquer impacto ambiental negativo.

A situação em Itarantim faz parte de um panorama mais amplo de expansão da mineração na região sudoeste da Bahia, impulsionada pela demanda por minerais estratégicos, como terras raras, nióbio e lítio. Dados da ANM indicam um aumento nos processos de pesquisa mineral, com 14,3% deles voltados para terras raras e 12,2% para nióbio, além de outras substâncias, como lítio e manganês. Os moradores de Córgão e Palmeiras temem que a mineração de terras raras possa contaminar o lençol freático e afetar sua produção agrícola e pecuária, além de provocar problemas de saúde e deslocamento de famílias.

O Centro de Estudos e Ação Social (CEAS) informa que a maioria das unidades produtivas na região pertence a pequenos e médios agricultores, que sustentam a economia local e garantem a alimentação da população. As comunidades possuem mais de 160 mil cabeças de gado e produzem anualmente cerca de 5 mil toneladas de cana-de-açúcar e mais de 300 toneladas de mandioca. A mobilização dos moradores reflete a importância da luta coletiva em defesa dos territórios, com o CEAS destacando que a interrupção das atividades da empresa não apenas interrompeu uma ação considerada ilegal, mas também reafirmou a luta pela água, terra e vida.

A mobilização em Itarantim se insere em um contexto maior de resistência contra a mineração. Em 2024, uma ação similar em Água Vermelha resultou na expulsão de uma empresa de pesquisa mineral que atuava sem a autorização da comunidade. Essa vitória inspirou outras comunidades a barrar a entrada de empresas em suas propriedades, culminando na elaboração da Lei de Iniciativa Popular, que foi aprovada por unanimidade pela Câmara Municipal em agosto de 2025. Essa legislação, resultado de um esforço comunitário que incluiu seminários e audiências públicas, busca proteger áreas essenciais para a segurança hídrica e a produção agropecuária da região, reafirmando a importância da organização popular na defesa dos direitos territoriais.

Fonte: Link original

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