Conferência de Inteligência Artificial NeurIPS Impõe Sanções a Empresas Chinesas e Gera Controvérsia
A Conferência sobre Sistemas de Processamento de Informação Neural, conhecida como NeurIPS, anunciou uma nova diretriz que proíbe a submissão de trabalhos acadêmicos de organizações listadas nas sanções dos Estados Unidos. Essa decisão, que afeta diretamente diversos grupos tecnológicos chineses, provocou reações contundentes na comunidade acadêmica da China.
Pela primeira vez, a NeurIPS vinculou explicitamente a participação no evento à conformidade com a lista de sanções do governo americano. Em um comunicado divulgado em 23 de março, a Fundação NeurIPS ressaltou que não poderá oferecer “serviços”, como revisão por pares e publicação, a indivíduos que representem entidades sancionadas. A mudança transforma uma prática antes tratada de maneira individualizada em um critério de elegibilidade inicial para a submissão de artigos.
A medida gerou críticas significativas, principalmente por parte da Federação Chinesa de Computação (CCF), que afirmou que a nova política politiza o intercâmbio acadêmico e infringe princípios de abertura e equidade. Em resposta, a CCF pediu que a NeurIPS reconsiderasse sua decisão e incentivou os pesquisadores chineses a se afastarem de funções de liderança na conferência, além de se absterem de submeter trabalhos.
A lista de sanções em questão, mantida pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac) dos EUA, inclui empresas como Huawei, SenseTime, Megvii Technology, Hikvision e Semiconductor Manufacturing International. Embora nenhuma universidade chinesa esteja oficialmente listada, a política ainda assim afeta a colaboração acadêmica em um contexto global cada vez mais tenso.
Na sequência do anúncio, vários acadêmicos declinaram convites para ocupar cargos de liderança na NeurIPS 2026, entre eles, Tu Zhaopeng da Tencent e Xiu Yuliang da Universidade Westlake. O professor Jiang Nan, da Universidade de Illinois, manifestou sua insatisfação nas redes sociais, afirmando que se recusou a revisar artigos pela primeira vez em três anos e questionando por que a NeurIPS é a única conferência de aprendizado de máquina a adotar tal política.
Fundada em 1987, a NeurIPS é um dos principais eventos na área de inteligência artificial, tendo publicado pesquisas inovadoras ao longo dos anos, como a famosa arquitetura Transformer do Google. A legislação americana geralmente permite a disseminação de "materiais informativos", mas as isenções não se aplicam a todos os serviços, o que torna a nova política da NeurIPS ainda mais controversa.
A decisão provocou um intenso debate na comunidade científica chinesa. Enquanto alguns defendem um boicote, outros acreditam que é fundamental continuar o engajamento para aumentar a representatividade na liderança da conferência. Como observou um engenheiro de software chinês, “a NeurIPS tem altos padrões, mas há uma notável falta de vozes chinesas nas suas decisões”.
Essa situação destaca como as tensões geopolíticas estão moldando a colaboração científica, levantando questões sobre a liberdade acadêmica e o intercâmbio de ideias em um cenário global.
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