Brasil Registra Déficit de US$ 5,6 Bilhões em Contas Externas em Fevereiro
O Banco Central do Brasil divulgou nesta sexta-feira (27) que as contas externas do país apresentaram um saldo negativo de US$ 5,614 bilhões em fevereiro. Este resultado representa uma redução significativa em comparação ao mesmo mês de 2025, quando o déficit alcançou US$ 10,245 bilhões.
Os números analisam as transações comerciais e de serviços do Brasil com o exterior, além das transferências de renda. Fernando Rocha, chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, destacou que essa tendência de redução do déficit é notável, sendo o terceiro mês consecutivo de queda, totalizando uma diminuição de US$ 12,1 bilhões nas contas externas.
O desempenho positivo da balança comercial foi um dos principais fatores para a melhora no saldo. Em fevereiro, o superávit na balança de bens aumentou em US$ 4,6 bilhões, impulsionado por um crescimento nas exportações e uma diminuição nas importações. Rocha enfatizou que as exportações estão em níveis recordes, com crescimento em diversos setores da economia nacional.
Por outro lado, a diminuição das importações está atrelada à desaceleração da atividade econômica interna, reflexo da política monetária que elevou a taxa de juros. Nos últimos 12 meses, o déficit em transações correntes totalizou US$ 63,444 bilhões, o que equivale a 2,71% do Produto Interno Bruto (PIB). Em comparação com o mesmo período encerrado em fevereiro de 2025, houve uma redução expressiva, uma vez que o déficit naquela ocasião foi de US$ 78,980 bilhões, ou 3,67% do PIB.
Investimentos Estrangeiros e Financiamento do Déficit
O Banco Central ressaltou a solidez das transações correntes, que têm mostrado uma tendência de redução desde setembro de 2025. O saldo negativo das contas externas tem sido financiado, em sua maioria, por investimentos diretos no Brasil (IDP), que são considerados de alta qualidade. Em fevereiro, o IDP totalizou US$ 6,754 bilhões, comparado a US$ 10,039 bilhões no mesmo mês de 2025.
Quando o Brasil apresenta um saldo negativo nas transações correntes, é necessário buscar financiamento externo, sendo o IDP a alternativa mais eficaz, pois esses recursos são aplicados no setor produtivo e têm um horizonte de longo prazo. Nos 12 meses encerrados em fevereiro, os investimentos diretos somaram US$ 75,852 bilhões (3,24% do PIB), em queda em relação aos US$ 79,137 bilhões (3,42% do PIB) do mês anterior.
No mercado de investimentos em carteira, o Brasil registrou uma entrada líquida de US$ 5,366 bilhões em fevereiro. Nos 12 meses até fevereiro, esses investimentos totalizaram ingressos líquidos de US$ 29,3 bilhões, superando os US$ 24,9 bilhões do período encerrado em janeiro de 2026.
Desempenho das Exportações e Importações
Em termos de comércio exterior, as exportações de bens atingiram US$ 26,383 bilhões em fevereiro, uma alta de 14,8% em relação ao mesmo mês de 2025. As importações, por sua vez, somaram US$ 22,876 bilhões, com uma queda de 5,1% na comparação anual. Assim, a balança comercial fechou com um superávit de US$ 3,507 bilhões, revertendo o saldo negativo de US$ 1,123 bilhões registrado em fevereiro de 2025.
Entretanto, o déficit na conta de serviços, que inclui viagens, transporte e prestação de serviços, foi de US$ 3,921 bilhões no mês passado, mantendo-se estável em relação ao mesmo período do ano anterior. A conta de renda primária, que abrange pagamentos de lucros e dividendos, registrou um déficit de US$ 5,640 bilhões, um aumento de 2,1% em comparação a fevereiro de 2025.
Por fim, a conta de renda secundária, que envolve transferências como doações e remessas, apresentou um superávit de US$ 440 milhões em fevereiro, em comparação a um saldo de US$ 290 milhões no mesmo mês do ano anterior.
Esses dados refletem a complexidade e os desafios das contas externas do Brasil, que continuam a se adaptar em um cenário econômico global em constante mudança.
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